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Quadrilhas usam Coxim como porta de saída para cocaína ser distribuída no País

9 JUN 2023 • POR (Correio do Estado) • 09h49
  Divulgação/Polícia Federal

O município de Coxim, tornou-se uma região de concentração de quadrilhas envolvidas com o tráfico de cocaína. Por estar em uma área que fica próxima de dois pantanais, a Nhecolândia e o Paiaguás, e em virtude de o acesso às fazendas ser difícil, esse território é utilizado pelos traficantes para articular entrepostos e distribuir cargas milionárias de entorpecentes para grandes centros, bem como para fora do País.
Essa situação ficou mais evidente após a operação da Polícia Federal (PF) desencadeada esta semana na cidade. Ainda, houve ações em Corumbá, que está na fronteira do Brasil com a Bolívia, bem como em Campo Grande e nos estados da Bahia e de São Paulo.
Os grupos investigados na Operação Ardea Alba usavam aviões para fazer o transporte de cocaína. Uma fazenda que oferecia diferentes estruturas, localizada na região do Paiaguás, era o principal terminal para a subida e a descida de aviões carregados.
O nome dado à operação é a denominação científica para garça-branca, ave da fauna pantaneira. Foi feita a alusão ao modo como os criminosos agiam, por subirem e descerem das aeronaves de forma constante na região do Pantanal, com o intuito de trazer droga proveniente da Bolívia.
Nessa investigação, que culminou no cumprimento de seis mandados de prisão, além da busca e apreensão em 25 endereços, o trabalho foi voltado para atingir líderes e subordinados da quadrilha, que movimentou, nos últimos meses, mais de 2 toneladas de cocaína vinda da Bolívia por meio de avião.
Um dos investigados, identificado como Geoseppe Gomes de Almeida, de 35 anos, que morreu durante a operação, morava em um bairro de classe média de Coxim, a Vila São Paulo. Ele era alvo de mandado de prisão temporária e reagiu com a chegada dos policiais federais. Conforme as autoridades, após ele atirar nos agentes, usou a própria arma e se matou. Além dessa investigação, Geoseppe, que é natural de Coxim, respondia a outro crime, de tentativa de homicídio, na Justiça Estadual.
"A cidade de Coxim já consta há bastante tempo como sendo utilizada por organizações criminosas envolvidas com o tráfico de drogas através do Pantanal, seja com o recebimento dos entorpecentes por modal aéreo, pelos rios da região ou pela [Estrada] Transpantaneira, quando a droga vem de veículos a partir de Corumbá. O principal grupo investigado nessa operação atuava com o recebimento da droga por modal aéreo", informou a PF ao Correio do Estado.
Durante as investigações, a Polícia Federal identificou que os criminosos enterravam a cocaína que chegava de aviões e pousava em fazenda na região do Paiaguás. O local é de difícil acesso, o que reduz a vigilância.
A droga só era desenterrada quando havia acerto para o transporte continuar por via terrestre para grandes centros. Ainda, havia um outro grupo que atuava em conjunto e escondia o entorpecente em cargas lícitas trazidas de Corumbá. O destino, nesse caso, era São Paulo.
Os mandados de prisão temporária, preventiva e de busca e apreensão foram expedidos pela Vara Criminal de Coxim, e a Delegacia de Repressão a Entorpecentes da PF, em Campo Grande, conduz a investigação. O município de Coxim, onde estava parte dos principais articuladores desses grupos criminosos, não tem delegacia da PF.
Dessa forma, foram expedidos 12 mandados de prisão ao todo, mas 6 foram cumpridos ontem. Houve presos na Capital, em Coxim e em Corumbá, além de dois flagrantes na cidade coxinense.
Para conseguir chegar à fazenda que era utilizada como base, o Exército Brasileiro deu apoio com o transporte aéreo. No local, houve o cumprimento de mandado de busca e apreensão. Nessa primeira etapa, foram encontradas 38 munições de espingarda, uma espingarda e 8 veículos. A Justiça ainda autorizou o sequestro de valores em nome de 18 pessoas físicas e jurídicas.
As ordens estão sendo efetivadas pela Justiça Estadual, por meio dos sistemas Renajud e Sisbajud, mas os valores obtidos ainda não foram divulgados pelas autoridades.
A atuação desses investigados era monitorada bem antes de a operação ter sido deflagrada. A PF identificou que os grupos que agiam interligados são formados por dezenas de pessoas, em diferentes posições e atribuições, a fim de garantir a entrada da droga no Brasil e seu despacho para localidades diversas.
Em ações pontuais anteriores, já houve a prisão de 12 pessoas ligadas a esse esquema com o uso de aviões para o transporte de cocaína. Aeronaves e veículos também já foram apreendidos, contudo, mesmo assim, os criminosos seguiam na ilegalidade.
A operação de ontem tentou minar de forma mais contundente os recursos humanos e financeiros desse grupo criminoso com várias ramificações. Como nem todos os mandados de prisão foram cumpridos há foragidos. A investigação prossegue.