Projeto Esperança atende 200 crianças em Sonora
26 JUN 2015 • POR Ana Flávia Dorsa • 11h58A freira italiana Maria Paula é a responsável pelo Projeto Esperança Giuseppe Guttilla que funciona em Sonora há mais de 20 anos e atende cerca de 200 crianças. A irmã que está há 30 anos no Brasil, morou em Sonora na década de 90, quando o projeto foi fundado ao lado da irmã Firmina. Depois foi trabalhar em outros lugares, mas retornou à cidade e hoje toca novamente este projeto.
Na época em que o projeto foi fundado, o padre da igreja era o Padre Antonino, que hoje se tornou o bispo Dom Antonino. Segundo a irmã Maria Paula, a cidade era repleta de cortadores de cana, e a prostituição era uma prática muito comum. O projeto veio justamente para isso, para acolher crianças de 6 à 15 anos e preveni-las desse problema e para que eles permanecessem na escola.
O projeto traz atividades escolares, educacionais, artesanais, lúdicas e conta com oito professores, 1 cozinheira, 1 pessoa responsável pela limpeza, além de outros cedidos por empresa e município, além do padre Fábio que auxilia os trabalhos.
Funcionando em um prédio próprio o projeto começou após uma família italiana perder um filho. Após esse drama de família, os pais decidiram ajudar o projeto doando a indenização que receberam com a morte do herdeiro.
Passado todos esses anos a família não mais colaborou, porém os pais dos alunos formaram uma associação para manter financeiramente esse projeto. Mais a crise e alguns problemas fizeram esse projeto quase deixar de existir, mas vendo o quanto esse fez diferença na vida de alguns jovens que hoje se tornaram professores, enfermeiros, padres, é que a vontade de continuar fez com que uma alternativa fosse encontrada pelas suas coordenadoras.
Mudaram então a estrutura de sustentação, hoje conta com a colaboração da prefeitura e Usina Sonora que cede professores e outras fontes que são boladas pelas irmãs que tocam as atividades e que usam a criatividade para arrecadar o que mais é necessário como rifas, brechó, aluguel do salão palestras e outras atividades.
O prédio passou por uma super reforma e teve o incentivo financeiro de R$100 mil reais da empresa de energia Tractebel. Com a ajuda da empresa Pró-Vida foi possível realizar a construção de um refeitório. Hoje esse é o principal projeto da igreja católica de Sonora, que hoje enfrenta outras demandas junto aos jovens, pois o perfil não é mais o mesmo da época de fundação, é outra realidade social, outro perfil da família, poucos tem um modelo tradicional para amparar.
“Tentamos oferecer o melhor para eles, conseguimos sala de informática e uniforme. Todos os dias nos esforçamos para melhorar as condições dadas aos alunos. Sabemos por exemplo, que muitos dependem da alimentação do projeto para se alimentar, então procuramos incrementar bem as refeições e ajudá-los nesta nutrição. As mudanças são notórias na vida dos que freqüentam o projeto, o que nos faz orgulhar desse trabalho. Muito antes do governo falar de bolsa família e outros programas de fortalecimento de vínculo, já estávamos trabalhando neste sentido. Em Sonora fomos pioneiros neste tipo de assistência. Hoje queremos diversificar e crescer ainda mais, para projetar essas crianças para um futuro melhor” finalizou o padre Fábio.
