Venda de usina da cesp cria ônus para reeleger Alckmin
28 MAR 2014 • POR 247/7 SP • 14h46Leilão da hidrelétrica de Três Irmãos, realizado nesta sexta-feira, cria um mote para a disputa estadual de 2014; governo paulista, de Geraldo Alckmin, abriu mão da concessão alegando que a presidente Dilma Rousseff oferecia um valor baixo demais pela energia da usina: R$ 27 por megawatt/hora; resistência foi capitaneada pelo secretário de Energia, José Aníbal; pois bem: consórcio vencedor arrematou a usina oferecendo R$ 16,6 por megawatt/hora; tendência de queda nos preços já vinha sendo apontada por Paulo Skaf, presidente da Fiesp, que hoje está em segundo lugar na disputa eleitoral.
Uma decisão tomada pelo governo de São Paulo no fim de 2011 acaba de criar uma dificuldade para a reeleição do governador tucano Geraldo Alckmin. Naquele ano, a presidente Dilma Rousseff, interessada em reduzir os custos da energia no País, fez uma oferta às empresas cujas concessões estavam vencendo. Uma das empresas afetadas era a Cesp, que opera a usina de Três Irmãos. Naquele momento, Dilma ofereceu R$ 27 por megawatt/hora para que São Paulo renovasse suas concessões por trinta anos.
Liderando a reação política ao projeto de redução das contas de luz, os governos de São Paulo, Minas Gerais e Paraná decidiram não aderir ao plano proposto pelo governo federal. Segundo o secretário de Energia José Anibal, o valor oferecido à Cesp era baixo demais. Pois bem: nesta sexta-feira, foi realizado o leilão de Porto Primavera. O leilão foi vencido pelo consórcio Novo Oriente, formado por Furnas e pelo fundo de investimentos Constantinopla. O preço do megawatt/hora? Apenas R$ 16,6, ou seja, um valor quase 40% abaixo do oferecido pela presidente Dilma Rousseff em 2011.
Isso significa que o governo de São Paulo abriu mão de parte relevante do patrimônio da Cesp, alegando que os preços eram insatisfatórios. Para piorar, até 2015, serão também leiloadas as usinas de Jupiá e Ilha Solteira.
O leilão desta sexta-feira enfrentou forte reação dos eletricitários, porque, na prática, parte da Cesp foi privatizada. E o tema tende a crescer na campanha estadual de 2014. Especialmente porque um dos candidatos, Paulo Skaf, que também preside a Fiesp, foi um forte defensor da tese de que São Paulo deveria ter aceito a oferta do governo federal e renovado suas concessões. Em 2011, Skaf alegava que a competição no setor elétrico faria o preço da energia recuar para menos de R$ 20 o megawatt/hora e que São Paulo deveria, portanto, ter renovado suas concessões. Ou seja: o pré-candidato do PMDB terá um prato cheio para explorar na campanha.
Em 2015, segundo cálculos de 2015, com a não renovação das concessões de Três Irmãos, Jupiá e Ilha Solteira, a Cesp terá perdido 25% de sua geração de caixa.
Por: 24/7 SP
