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Hospital Universitário da Capital deixará de receber vaga zero a partir de fevereiro

16 DEZ 2022 • POR CGNews • 14h46
  Entrada do Hospital Universitário, em Campo Grande. (Kísie Ainoã/Arquivo)

O Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap), de Campo Grande, não vai mais receber pacientes que chegam à unidade em vaga zero, ou seja, leito aberto em caráter de extrema urgência a pacientes com risco de morte ou sofrimento intenso. Segundo o hospital, a medida começa a valer no dia 1º de fevereiro de 2023 e tem o objetivo de desagravar a situação de lotação do Humap, problema antigo e recorrente no HU.

“Não vamos mais atender pacientes vaga zero porque essa tem sido a maneira que a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) tem utilizado, através da Central de Regulação, para enviar pacientes além da capacidade contratualizada dos hospitais”, explica o Humap.

O hospital ainda explica que a situação gera constantes superlotações que prejudicam o atendimento aos pacientes, sobrecarregam os profissionais e atrapalham o ensino nas residências médicas, já que o Humap é prioritariamente um hospital-escola.

“Importante destacar que os hospitais precisam se planejar para comprar medicamentos, insumos, enxovais, contratar profissionais, e que esse planejamento é realizado com base no que é contratualizado. As superlotações prejudicam o funcionamento adequado dos hospitais à medida que recursos materiais e humanos são consumidos além do planejado”, detalha.

Pronto atendimento - A unidade continuará oferecendo atendimento no Pronto Atendimento Médico, onde existem seis leitos de área vermelha, oito leitos de área amarela, sendo quatro leitos para Acidente Vascular Cerebral (AVC) e três leitos de área verde. Os pacientes críticos serão recebidos dentro do número de vagas e nada mudará no atendimento destes casos.

Além disso, o HU também continuará com 212 leitos de internação, além de atendimento da unidade de AVC agudo, linha de dor torácica e maternidade, que continuará funcionando no formato portas abertas, recebendo gestantes normalmente.

A mudança no recebimento de pacientes, segundo o HU, gerará importantes resultados no aprendizado dos residentes de Medicina. “Os impactos para residentes e pesquisadores será significativo com o fim das superlotações, haja vista que o Humap é um hospital-escola da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), principal formador de médicos generalistas e especialistas do Estado e tem um potencial de atendimento de situações mais específicas de média e alta complexidade, uma demanda crescente da população sul-mato-grossense, pois há fila de espera no Estado de muitos atendimentos e cirurgias especializadas”, afirma o hospital.

De acordo com a direção da unidade, o Humap conta com 25 programas de residência médica em áreas clínicas e cirúrgicas, dois programas de residência uniprofissional em saúde e um programa de residência multiprofissional, com 206 residentes em formação. “É também unidade de formação para mais de 300 graduandos, não apenas na área da saúde, mas também nas áreas de humanas e exatas, incluindo atividades assistenciais, administrativas e de apoio, contribuindo com o ensino, pesquisa e extensão”, completa.

Ao Campo Grande News o hospital afirmou ainda que, com essa nova configuração, espera “otimizar a realização de cirurgias eletivas, além de procedimentos de alta complexidade, muito importantes para a população e para a formação dos nossos alunos e residentes.”

Esta reportagem entrou em contato com a Sesau para saber como a mudança afeta a distribuição de vagas do sistema de saúde do município, e se há possibilidade de ampliação do contrato com o HU para que o atendimento em vaga zero seja mantido. Até o momento não recebemos retorno da secretaria.