Nasa encontra ´tijolos da vida´ em rochas de delta de lago em Marte
16 SET 2022 • POR Coxim Agora • 15h39A Nasa apresentou ontem quinta-feira (15) um relatório de desempenho da missão do rover Perseverance na cratera Jezero, em Marte, e o entusiasmo dos cientistas pareceu palpável com a confirmação de que há quantidade apreciável de moléculas orgânicas, os tijolos básicos para a vida, no material colhido -ainda que “gratificação atrasada” seja o real nome do jogo.
Isso porque o veículo robótico pode conduzir a análise das rochas que vem colhendo de forma limitada, ditada pela capacidade de seus instrumentos. O resultado é insuficiente para responder às grandes questões que cercam a missão, como a busca por evidências de vida no passado de Marte. Mas isso tende a mudar quando o material for trazido à Terra para estudos aprofundados -o que deve acontecer só em 2033.
A realidade é que o nível de prova para estabelecer vida em outro planeta é muito alto. E parece improvável para a maioria de nós que a evidência seja tão convincente [em observações com o rover] que possamos fazer isso”, diz Ken Farley, cientista de projeto do Perseverance e pesquisador do Caltech, o Instituto de Tecnologia da Califórnia. “Não é muito provável que façamos uma detecção definitiva de vida [com o rover]. O máximo que provavelmente poderemos fazer é uma potencial detecção.”
A situação, é claro, muda quando se pensa que muitas dessas rochas serão trazidas à Terr
Por uma questão de segurança de voo, o rover pousou mais para o fundo da cratera Jezero, onde o terreno era menos acidentado, em fevereiro do ano passado. Ao analisar essas rochas mais próximas ao local de pouso, houve alguma surpresa ao descobrir que eram ígneas -ou seja, formadas por lava que escorreu para dentro da cratera em seu passado mais remoto.
O achado mostrou que a cratera, formada há cerca de 3,8 bilhões de anos, tem uma história mais complexa do que antes se imaginava. Sabe-se que houve um lago persistente de água salgada em seu interior durante algum tempo, e o delta seco que existe a oeste dela (alvo primário da missão) bem como traços nas bordas deixam isso cabalmente demonstrado -sinais claros de água fluindo para dentro da cratera e se depositando em grande quantidade no interior.
Algumas amostras de rochas ígneas foram coletadas pela missão e, embora não ofereçam o maior potenci
a para análise mais detida. Aí, só o fato de que os cientistas foram capazes de confirmar que a escolha da cratera Jezero para a expedição do rover foi acertada e o que eles esperavam encontrar de fato está por lá já anima bastante.al na busca das chamadas bioassinaturas (a detecção de moléculas que estiveram associadas à vida no passado), permitem datar com precisão quando ocorreu o fluxo de lava que as formou. O delta, por sua vez, foi gerado de forma posterior, sinalizando que o lago veio depois do fluxo de lava no fundo da cratera. “Se houve, antes desse fluxo, outras instâncias do lago, não temos como saber”, diz Farley. “O que podemos ver é a última iteração dele, que foi a que produziu o delta.”
Numa corrida sem precedentes de um veículo robótico na superfície de outro planeta, o Perseverance percorreu 5 km em 31 dias, entre março e abril, até chegar ao delta. É naquela região que ele vem trabalhando desde então, e é de lá que vêm as amostras mais interessantes para a busca por vida, compostas por rochas sedimentares, ou seja, depositadas em camadas pela água corrente avançando para o interior da cratera.
Ao longo do próximo ano, o rover continuará avançando pelo delta e pretende alcançar a borda do lago seco. No começo dessa jornada, pode ainda fazer sua primeira deposição de tubos de amostras no solo para futura coleta pelas missões que devem promover seu envio à Terra, numa parceria entre Nasa e ESA, agências espaciais dos EUA e da Europa.
