Empresários de Coxim tomam medidas drásticas devido aos altos impostos
26 MAI 2015 • POR Ana Flávia Dorsa • 09h32O valor pago pelos brasileiros neste ano em impostos alcançou R$ 800 bilhões na sexta-feira (22), segundo o “Impostômetro”. A marca equivale ao montante pago de impostos, taxas e contribuições desde o primeiro dia do ano no Brasil.
No ano passado, o mesmo valor foi alcançado apenas no dia 31 de maio, o que aponta aumento da carga tributária, reflexo da inflação, de aumentos de preços e revisão de desonerações e incentivos.
A previsão é que até o fim do ano, o impostômetro bata o record e ultrapasse R$2 trilhões, ou seja em 2015, o cidadão terá que trabalhar 151 dias para poder pagar essa conta. O objetivo da ferramenta impostômetro é conscientizar a população sobre a alta carga tributária e incentivá-la a cobrar os governos e serviços públicos de qualidade.
Coxim, por exemplo, arrecada anualmente uma média de 51 milhões de reais, uma média de R$4 milhões ao mês. Conforme ano de 2010, a estatística do impostômetro aponta que Coxim, Costa Rica, Chapadão do Sul e São Gabriel do Oeste arrecadaram valores que ficaram na casa de R$50 milhões de reais por ano.
É possível acompanhar o impostômetro pelo portal www.impostometro.com.br e ainda descobrir o que dá para os governos fazerem com todo o dinheiro arrecadado. Por exemplo, quantas cestas básicas são possíveis fornecer, quantos postos de saúde podem ser construídos.
Ronildo Cézar de Lima, presidente da Associação Comercial de Coxim (ACIAC) diz que este mês seria uma oportunidade excelente para o comércio comemorar as datas significativas como dia do trabalhador, dia das mães, mês das noivas, porém a data que não se consegue comemorar é o fim da escravidão dos impostos.
“Voltando no tempo os trabalhadores e empresários das décadas de 70 e 80 trabalhavam metade do que trabalhamos hoje para pagar seus impostos, ou seja, 76/77 dias. Sabendo disso é hora de mostrarmos nossa indignação. Algumas ações estão sendo realizadas no Estado e comerciantes não abrirão suas portas nesta quarta-feira (27), pois não suportam mais tamanha carga tributária. Em Coxim uma parcela de empresários aderiram ao manifesto”, declara.
O presidente ainda compara o quanto trabalhamos para pagar impostos ao que os trabalhadores europeus pagam, valores equivalentes, porém com uma diferença: a qualidade de vida. “Ou seja, pagamos para comer rodízio e comemos apenas uma marmita”, disse Lima.
“Nosso comércio está em uma situação delicada, estamos com alto índice de demissão, estamos contendo despesas e em grande parte já estamos procurando terceirizar serviços. Lojas agora na sua maioria só vendem o produto, o serviço já é terceirizado, mesmo antes da lei terceirização estar em vigor” registra.
Desapontado, Lima conta que a Associação tem 240 associados e que a mensalidade para se associar é de R$45 reais, mas com a dificuldade na economia, o valor tem ficado difícil para os empresários pagarem e que cogitam saírem da ACIAC para evitarem essa despesa.
Mesmo com situação difícil, Ronildo pede para que todos se unam e acreditem no país, mesmo com toda a conjuntura política e econômica complicada, mas que cresçam e criem saídas, sem desistirem no meio desta caminhada estreita e cheia de obstáculos.
