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Gravuras expostas no Instituto Federal sobre homofobia chocam alunos, pais e religiosos

20 MAI 2015 • POR Ana Flávia Dorsa • 10h21

O Instituto Federal de Coxim realizou uma programação que teve início ontem (19) cujo tema era voltado para o combate à homofobia. A equipe organizadora do projeto organizou uma exposição que ficou à disposição dos alunos no pátio central, expondo o que o tema tem gerado nas redes sociais.
A exposição chocou alunos, pais de alunos, vereadores e religiosos que compareceram na tarde de ontem ao Instituto para questionar as imagens retratadas, uma vez que a maior parte delas atacavam o cristianismo.
Para o vereador Franciel de Oliveira, estão combatendo a homofobia com o ódio, com o preconceito. “Além da discriminação religiosa, as figuras trazem o preconceito. Me senti ofendido como cristão, pai de aluno, cidadão brasileiro. Muitos outros pais e alunos se sentiram ofendidos. Vou representar no Ministério público Federal e propor moção de repúdio contra o que eu vi aqui”, desabafou.
Já para o vereador Carlos Henrique que também é pastor de igreja evangélica, princípios e valores são decididos por cada um, e cada família orienta seu filho como acha melhor, mas a exposição para ele agride aquele que preza pela família constituída por homem e mulher, agride também a constituição.
“Uma instituição não pode fazer distinção de religião e aqui nesta exposição eu vejo claramente um ataque aos cristãos. O que a exposição traduz sobre os cristãos não é pregado dentro das igrejas, nós evangélicos não temos nada contra os homossexuais, eles podem freqüentar minha igreja, estamos de portas abertas. Só acho que os professores não podem induzir esse conceito, essas práticas que não condizem com o sistema pedagógico da entidade e isso vem acontecendo, pois sou pai de aluno e posso falar”, reclama Carlos Henrique.
O bispo Dom Antonino disse que “em geral todos temos direito de manifestar nossos ideais, no que acreditamos, mas é uma regra comum respeitar a opinião, os sentimentos dos outros. Existe um perigo onde uma minoria quer estar defendendo seus direitos, porém eles também precisam respeitar a maioria que pensa diferente. Não precisa de todo esse barulho para defender essa escolha. Sobre a questão das gravuras que colocam padres como estupradores, sabemos que muitos padres erraram sim, mas muitos profissionais de diversas áreas também já cometeram esse pecado. Nós como igreja não toleramos isso, basta ver o posicionamento do papa que coloca tolerância zero quanto essa prática. O que estamos vendo aqui são exageros”, destaca o bispo.
Durante a visita dos que se indignaram com a exposição, a pedagoga Marcela Rodrigues, diretoria de ensino e na ocasião estava respondendo pelo campus de Coxim, convidou a todos para que junto com sua equipe estivessem em sala de reunião para ouvir as reclamações e também apresentar a proposta do Instituto.
A pedagoga disse que o projeto da Semana de combate à homofobia tinha sido aprovado pela coordenação do Instituto e que a exposição não teve a intenção de ofender ninguém, e que a finalidade real da exposição era mostrar o que está se falando nas redes sociais sobre o assunto. Marcela informou ainda que as gravuras não representam o pensamento ou a ideologia da Instituição, pediu desculpas pelo transtorno, mas que irá tomar providencias sobre o esclarecimento aos alunos sobre a exposição.
Mesmo com as reclamações o Instituto manteve a exposição e concordou com a ideia do bispo de se programar uma mesa redonda para abordar o tema com igreja, alunos, professores e pais.
A programação acontecerá até o fim de semana e a equipe do instituto convidou a todos os presentes para participarem da programação que está aberta ao público para maiores reflexões.