Investigado sacou R$ 63 milhões da Enersul sem autorização para pagar conta
8 MAI 2015 • POR • 07h52Um processo que corre em segredo de justiça tem a Enersul requerendo a devolução de pelo menos R$ 63 milhões sacados de sua conta pelo Banco Daycoval, para pagamento de dívidas que o Grupo Rede tinha com a instituição financeira. A informação foi revelada no fim da tarde de terça-feira (5) na reunião semanal da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Enersul/Energisa.
“Nós queremos entender como foi sacado, da noite para o dia, R$ 63 milhões da Enersul para saldar dividas de outras empresas. Isso teria sido feito sem autorização de diretores e do conselho da concessionária”, revelou o relator da comissão, deputado Beto Pereira (PDT). Se comprovado as irregularidades, o pedetista afirma que o objetivo da CPI é a devolução de todo o valor desviado que impactou a conta de energia, para o bolso do consumidor sul-mato-grossense.
Diante da informação recebida pelos deputados, o pedetista apresentou um requerimento para convocar nove pessoas (cinco ex-diretores da Enersul, três representantes do Banco Daycoval e um da Agência Nacional de Energia Elétrica – Aneel).
Para o proponente da CPI, deputado Marquinho Trad (PMDB), a prática é fraudulenta e ilegal, e fez com que a Enersul deixasse de ter recursos para fazer investimentos na região que atendia, e ainda fosse punida com multa pela Aneel por não ter condições, em determinado momento, de arcar com os custos de compra e transporte de energia elétrica.
“É fraude, porque o investimento impacta na tarifa. Tudo o que é em Mato Grosso do Sul deve ser devolvido para Mato Grosso do Sul. São empresas que o Grupo detinha o controle, mas que tinham contornos econômicos financeiros distintos, cada um tinha um caixa, uma gerencia e um presidente. Eles faziam com que a única que gerava lucros repusesse as dificuldades das outras empresas”, afirmou Marquinhos.
