Casos de racismo reabrem discussão sobre preconceito
10 JUN 2022 • POR Glenda Melo, Diário do Estado • 09h30O caso de uma mulher no metrô de Belo Horizonte em que ela ofende e declara odiar pessoas com a cor da pele escura, levanta novamente o debate de quão cruel pode ser o preconceito. No episódio, Adriana Maria de Lima agride uma família com vários comentários racistas e mesmo sendo filmada não se intimidou. A agressora foi retirada da estação por seguranças e encaminhada para a delegacia. A família registrou boletim de ocorrências e a Adriana poderá responder com crime de racismo.
Uma série de ataques racistas em diversas cidades foram registrados no Brasil na última semana, mesmo a prática sendo crime previsto na Lei 7.716/1989, que foi elaborada para regulamentar a punição de atos de preconceito de raça ou de cor. Além disso, desde 2021 o crime de injúria racial pode ser equiparado ao de racismo e ser considerado imprescritível, ou seja, passível de punição a qualquer tempo.
A principal causa de racismo nos dias atuais ainda se baseia na cultura de que algumas pessoas devem ser subservientes a outras, resquício, por exemplo, do período da escravidão. O racismo no Brasil tem se revelado a cada dia, especialmente considerando os aspectos estruturais e institucionais. Exemplo dessa herança, são as oportunidades no mercado de trabalho, a distribuição de renda, o percentual da população carcerária e as condições desiguais de moradia.
Além dos inúmeros prejuízos do preconceito no mercado de trabalho e na condição social, registros históricos e estudos de saúde realizados em épocas distintas apontam que os negros que sofrem discriminação tornam-se suscetíveis psiquicamente a desenvolverem, mais comumente alguns transtornos como ansiedade, ataques de pânico, baixa autoestima, depressão, comprometimento e crises de identidade.
