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Menina grávida aos 10 anos gera debate sobre legislação do aborto no Paraguai

7 MAI 2015 • POR • 13h37

Uma menina paraguaia que está grávida de 21 semanas e meia se encontra em boas condições de saúde, disse à BBC a médica encarregada de monitorar sua evolução, Dolores Castellanos. Mas, em virtude da sua pouca idade, a gravidez é considerada de risco e alguns temem que mesmo uma pequena complicação possa pôr a vida da mãe e do feto em risco.
“Estamos acostumados a tratar mães crianças e vemos muitas meninas ansiosas, mas ela parece bem”, diz Castellanos, diretora da área de infância e adolescência do hospital Cruz Vermelha, em Assunção.
“Como ela está em companhia de outras garotas de sua idade, parece bem equilibrada”.
A menina - cuja identidade não foi revelada - está no centro de uma acusação de estupro. O acusado, seu padrasto, é objeto de um mandado de prisão. O caso coloca um dilema para autoridades do Paraguai, onde no ano passado 680 menores de 15 anos deram à luz, de acordo com o Ministério da Saúde Pública. A mãe da garota quer que a filha seja autorizada a se submeter a um aborto “para salvar sua vida”.
Mas as autoridades rejeitam o pedido, porque a lei paraguaia só permite a interrupção da gravidez quando a vida da gestante corre perigo. A mãe foi presa em caráter preventivo enquanto durar o inquérito que investiga as circunstâncias da gravidez, sob acusação de faltar com os devidos cuidados para com a filha e de obstruir a Justiça.