“Estamos entregues aos sapos”, lamenta pai de família
23 ABR 2015 • POR Ana Flávia Dorsa • 09h17Aos fundos da rua lateral do buracão no bairro Vila Bela, encontramos um portão feito de arame, além dessa pequena barreira, avista-se um caminho difícil para a entrada de um carro de passeio que leva até a casa de uma família entregue a sorte. Com muitos animais domésticos em volta, as condições sanitárias ficam comprometidas.
Benjamim Araújo é quem recebe as visitas. Ele é o responsável pelo local, é quem faz o almoço, cuida da roupa, da casa, dos filhos e a da esposa que está doente e recentemente teve um acidente vascular cerebral. Fraca, sem forças para trabalhar ou cuidar dos serviços do lar, mal consegue andar.
Na casa ainda moram três crianças, um menino e duas meninas. Com a pele bem branca as crianças apresentam muitas feridas pelo corpo que lembram hanseníase, uma delas não pisa mais com um dos pés, pois está muito afetado e quando precisa se locomover é na mesma forma como o personagem folclórico “saci pererê”. Segundo Benjamim, a grande dificuldade é o transporte para chegar até o posto para tratar, porém quando está na unidade de saúde disse estar sendo bem atendido.
O quadro clínico da família não foi diagnosticado. Apenas a esposa recebeu atendimento e alguns medicamentos da prefeitura, mas a conta da farmácia é alta mensalmente e a família que se mantém com o acumulo de bolsas do governo o que somados dá uma média de R$500 reais, não garante a sobrevivência com dignidade.
“Precisamos de socorro, estamos entregue aos sapos aqui. Não posso trabalhar e cuido de todos, pois eu ao menos ainda tenho saúde. Preciso de qualquer ajuda, nem mesmo a mãe dessas crianças nos dá apoio. Tive que me desdobrar para comprar material escolar neste início de ano, nossa vida está um sufoco. Não tenho dinheiro suficiente para fazer compras básicas”, desabafa o pai de família.
