Suinocultura e setor sucroenergético credenciam MS como protagonista em biometano no pais
25 MAR 2022 • POR (Rosana Siqueira, Semagro) • 10h40A produção de biogás na suinocultura que gera energia suficiente para abastecer uma cidade de mais de 5 mil habitantes e a bioleletricidade que sai das usinas sucroenergéticas, credenciam Mato Grosso do Sul a figurar entre os protagonistas na produção de biometano do País. Nesta semana, o Estado, junto com mais cinco unidades da federação, foi inserido no programa de medidas de incentivo à produção e ao uso sustentável do biometano do governo federal.
A ideia do governo é implantar 25 novas plantas distribuídas em São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. A produção deve saltar de 400 mil metros cúbicos por dia para 2,3 milhões de metros cúbicos por dia em 2027, suficiente para abastecer mais de 900 mil veículos leves por ano. Além disso, serão evitadas as emissões de quase 2 milhões de toneladas de carbono na atmosfera, o que corresponde ao plantio de 14 milhões de árvores em termos de captura de carbono. O combustível renovável é obtido pela purificação do biogás e pode substituir os combustíveis fósseis.
No Estado existem inúmeros projetos de aproveitamento de resíduos oriundos de atividades como a suinocultura e setor sucroenergético, mas este é só o começo. Todos estes pontos mais do que credenciam o Estado para participar do programa, avalia o secretário Jaime Verruck, da Semagro (Secretaria de Meio Ambiente, Produção, Desenvolvimento Econômico e Agricultura Familiar). Ele lembrou que o governo brasileiro assumiu durante a COP-26, a conferência das Nações Unidas para mudanças climáticas, uma série de compromissos, um deles é a redução de 30% das emissões de metano até 2030. “A estratégia federal de incentivo ao uso sustentável do biogás e do biometano é uma referência extremamente positiva ao Mato Grosso do Sul, já que vínhamos trabalhando no incentivo a essas atividades em implantar o Estado Carbono Neutro”, relembrou.
Entre as vantagens do programa federal, o secretário citou a redução e suspensão da cobrança de Pis e Cofins para a aquisição de máquinas, equipamentos, materiais de construção relativos a instalação de usinas de biogás e biometano “No caso de Mato Grosso do Sul nós recentemente demonstramos a importância que o biogás e o biometano gerado através da suinocultura tem na energia limpa. Mas o projeto é um pouco mais amplo. Por isso vejo a grande oportunidade em termos de dimensão de avançar na questão da utilização dos resíduos da suinocultura, que se expande rapidamente”, salientou.
Outro setor com grande potencial para o programa é a cadeia do setor sucroenergético. “As usinas de cana já estão gerando gás através da vinhaça. Nós conseguimos gerar o biogás que vai direto a produção de energia elétrica através das turbinas. Ou ainda poderá ser transformado em metano. Então o grande potencial disponível que nós temos em MS é exatamente dentro da cadeia do sucroenergético”, acrescentou Jaime Verruck.
