Padre Micael receberá medalha de Tiradentes da PM do Estado
17 ABR 2015 • POR Ana Flávia Dorsa • 09h13O padre Micael Carlos Andrejzwski será um dos homenageados com a entrega da Medalha Tiradentes, concedida pela Polícia Militar de Mato Grosso do Sul. O evento será no dia 22 de abril, no Palácio Tiradentes, no Parque dos Poderes, em Campo Grande, às 09 horas. Além dele, autoridades civis e militares receberão a homenagem.
O decreto contendo a lista de autoridades foi publicado no Diário Oficial do Estado (DOE) de sexta-feira (10). A medalha é entregue para pessoas que se destacaram “pelo seu valor pessoal de modo a terem contribuído decisivamente para o aperfeiçoamento e a projeção da Polícia Militar em âmbito nacional ou estadual”, cita a publicação do Diário Oficial.
A medalha de Tiradentes foi criada pelo decreto n° 1542 de 25 de fevereiro de 1982, pelo então governador Pedro Pedrossian. Tradicionalmente a medalha é entregue durante a solenidade em comemoração ao patrono das Polícias Militares do Brasil, Joaquim José da Silva Xavier, o “Tiradentes”.
Assim como o Padre Micael, receberão a homenagem o deputado Jair Bolsonaro, o arcebispo da Arquidiocese da Capital, Dom Dimas Lara Barbosa; o secretário de Governo do Estado, Eduardo Riedel e o prefeito de Amambai, Sérgio Diozébio entre outras personalidades militares, juízes, promotores, empresários e produtores rurais.
“É um momento de alegria na minha vida. Quero agradecer a todos meus amigos coxinenses por este momento, quero oferecer esta medalha a todos os que me ajudaram, confiaram no meu trabalho. Quando cheguei a Coxim não conhecia ninguém e não era conhecido também, mas com aquilo que eu aposto e acredito, me cerquei de pessoas boas, que se dedicaram para me ajudar, portanto essa medalha é fruto da sociedade coxinense, das tantas obras sociais que realizamos juntos, ações religiosas, ajudas caritativas. Me sinto pequeno diante de tanta honraria”, declarou o padre
Micael se espantou ao saber que grandes personalidades estariam recebendo a medalha junto com ele. “Eu sou o único de Coxim, cidade pequena e eu apenas um padre, só tenho a agradecer à Deus e as pessoas por tudo isso. Receber essa medalha ao lado do deputado Jair Bolsonaro por exemplo, será uma grande experiência, ele é muito conhecido nacionalmente pela maneira de pensar, pelas bandeiras que levanta, pela luta e ideologia que abraça, me sinto lisonjeado e se possível quero até tirar uma foto com ele”, brincou.
Conheça a história do religioso - Micael Carlos Andrejzwski é o filho mais velho de Bonifácio Andrejzwski e Vera Lúcia Dresch Andrejzwski, nascido no dia 10 de janeiro de 1984, na cidade de Campina das Missões/Rio Grande do Sul. O casal possui mais um filho, Miquéias José Andrejzwski, atualmente com 25 anos de idade. Por parte materna é neto de Edwino Dresch e Lucinda Kieling, ambos em feliz memória, que eram descendentes de alemães e por parte paterna de Estephan Andrejzwski (in memoria) e Rosália Podkova de origem polonesa. Nasceu e cresceu na comunidade da Linha Godói Centro, mais conhecida pelos alemães como “una Godoy”, a qual faz divisa com o município de Cândido Godói e pertence à Paróquia Nossa Senhora das Dores. Sua infância foi marcada pela presença dos avôs maternos que residiam próximos da sua casa e pela comunidade local que é constituída em sua totalidade por migrantes alemães. Logo cedo aprendeu a falar a língua alemã e polonesa, e esta por não praticá-la, com o passar do tempo foi se tornando esquecida. Aos cinco anos de idade mostrava o desejo perante seus avôs e familiares de um dia seguir a vida religiosa. Seus avôs que possuíam grande devoção e uma religiosidade fervorosa o inseriram na vida da Igreja, ensinando-lhe o sinal da cruz, a Oração do Pai Nosso, Ave Maria e o Santo Anjo. Todos os dias junto com seus avôs acompanhava a santa missa pelo rádio e rezava em torno da mesa antes de realizar qualquer refeição, agradecendo a Deus pelo alimento recebido. Desde muito pequeno recebeu o carinhoso apelido de “Neno” que até os dias atuais perdura entre os amigos e familiares. Aprendeu dos pais o ofício de trabalhador rural e desde muito jovem os auxiliou no trabalho braçal do cultivo da terra, tirando leite, cuidando dos bezerros, realizando todos os trabalhos que eram necessários no meio rural para ajudar no sustento da família. E assim o pequeno “Neno” crescia no meio de sua família, tendo uma vida rotineira que durante a semana resumia-se nos afazeres da roça e dos estudos escolares e no final de semana entre a catequese no sábado e a missa no domingo, que não era dispensada de maneira alguma pelos pais. Neste período o seu avô Edwino, devido a um agravamento do glaucoma, perdeu sua visão, precisando do auxílio das pessoas para se locomover, realizar as refeições tudo mais que almejava. Então “Neno” passou a passear todos os dias com seu avô pela comunidade, geralmente indo até a Igreja e nessa trajetória aproveitavam para rezar o terço. Seu avô lhe explicava a dureza da vida do passado e as dificuldades que enfrentou para criar e educar os dez filhos, e ensinava que é necessário amar e respeitar aqueles que são idosos, pois possuem a sabedoria da vida. Ao chegar em casa, a avó já havia preparado o almoço e enquanto Micael preparava o chimarrão, seu avô aproveitava para tocar a sua mund harmonika (gaita de boca) para tornar o ambiente ainda mais agradável, sua música preferida era o all schmidt. Sentindo o chamado que Deus fazia para segui-lo de maneira mais próxima, aos 12 anos de idade foi convidado pela Congregação da Sagrada Família para realizar um retiro vocacional e a partir daí todos os anos, nos meses de julho e dezembro participava dos retiros vocacionais, e durante o ano recebia um acompanhamento dos padres daquela congregação. No ano de 2001 surgiu uma nova oportunidade em sua vida e com o desejo de buscar novos horizontes para sua realização pessoal e conhecer o Pantanal sul-mato-grossense, decidiu mudar-se para a cidade de Pedro Gomes, no estado do Mato Grosso do Sul, para ajudar seu tio no comércio local e realizar uma nova experiência de vida. Nos primeiros seis meses enfrentou várias dificuldades de adaptação, mas após a visita da sua mãe e dos tios superou um pouco a distância e a saudade da família do sul. No dia 17 de fevereiro do ano de 2002 entrou no Seminário Cristo Sacerdote, na cidade de Coxim, onde residiu durante três anos, cursando a Faculdade de Turismo na FICO. No início do ano de 2005 ingressou no seminário Maior Maria Mãe da Igreja em Campo Grande cursando os estudos de Teologia e concluindo o Curso de Turismo na Uniderp. No período das férias completou os estudos com um curso de pós-graduação em Comunicação pela PUC-COGEAE-SP. E como padre, conclui o Mestrado em Bíblia pela Escola Superior de Teologia (EST) de São Leopoldo no ano de 2014. Foi ordenado Diácono na Comunidade natal de Nossa Senhora Auxiliadora pelas mãos de Dom Antonino Migliore no dia 11 de Janeiro de 2009; e no dia 12 de Julho do decorrente ano na Catedral São José foi consagrado presbítero, onde depois de seis meses assumiu a responsabilidade de Administrador Paroquial, e no dia 12 de Julho de 2014, foi nomeado como Pároco, continuando seu trabalho pastoral.
