Cultura de Coxim em ascensão
25 FEV 2022 • POR Glenda Melo • 08h15Desde o início da Pandemia em 2020 todos os setores da sociedade sentiram os reflexos e danos causados pelo período pandêmico, com a cultura não foi diferente, sendo uma das áreas mais afetadas pela pandemia a cultura no país como um todo precisou parar, o reflexo automaticamente foi sentido pelos artesãos que de uma maneira geral tiveram que se reinventar para não deixar de produzir e vender suas peças e sustentarem suas famílias.
Um grande exemplo de superação e dinamismo é o Artesão Coxinense o Ceramista Robertson Isan Vieira, genuinamente Coxinense, 53 anos, apaixonado pela cultura sul-mato-grossense e uma grande incentivador de projetos culturais na cidade de Coxim, por ser filho da terra Robertson cultiva dentro de si a paixão pela História da cidade em que nasceu e criou raízes, morador da cidade ele têm lutado para que a cultura coxinense retome sua força como no passado, gerando empregos e renda para o município, atraindo turistas e fazendo assim que tudo produzido pelos artesãos locais seja reconhecido não só pelo Estado de Mato Grosso do Sul como pelo mundo.
O 1° contato do artesão com a cerâmica foi em 2003 quando na época Robertson trabalhava no conselho Municipal de Turismo, desde então ele não parou mais, são 19 anos dedicados a arte da cerâmica, com tudo passou a se qualificar, estudar todo processo da cerâmica, fazendo cursos e oficinas para se aprimorar, apaixonado pela arte da transformação do barro em peças utilitárias e de decoração Robertson conta que graças ao apoio do governo da época e do Senai as parcerias então agregaram para que cursos de capacitação na área acontecessem, foi aí então que muitos outros artesãos interessados na arte da cerâmica começaram também participar dos cursos que a princípio eram em Rio Verde MS cidade vizinha do município de Coxim, os cursos eram oferecidos pelo Senai em parceria com as prefeituras locais.
Em Coxim, o início das atividades com cerâmica se deu graças ao empenho e dedicação do inesquecível Henrique Spengler (1958-2003) grande referência cultural e para os artistas locais até os dias de hoje, Henrique foi diretor de cultura da Prefeitura Municipal de Coxim, MS. Formou-se em Educação Artística pela FAAP- fundação Armando Álvarez Penteado (1981) e era Pós-graduado em História da Arte. Membro ativo de associações em favor da cultura indígena criou uma nova visão contemporânea ao reinventar imagens baseadas nas abstrações das cerâmicas , couros, tatuagens da tribo Kadiweo-Mbayá, originária do sudeste de Mato Grosso do Sul, Henrique era um artista neo-nativista muito original, tendo desenvolvido a técnica em gravura "cotton", que consiste em imprimir no papel suporte valendo-se de um lençol como matriz.
" Robertson declara que a cultura coxinense perdeu muito quando Henrique faleceu, pois através dele vieram muitos investimentos para área cultural da cidade, é como se todos os artistas e artesãos da cidade tivessem ficado órfãos enfatiza o artesão."
Atualmente Robertson vê a atual administração bem empenhada e comprometida em promover a cultura do município e comemora a importante colaboração que o município tem dado ao segmento através da FUNRONDON.
Segundo o artesão, seu maior sonho é de ver o forno usado para as queimas das peças de cerâmicas que pertence ao município restaurado, uma vez que que a restauração do forno atenderia e beneficiaria todo o setor cerâmico-artístico do município, como a própria associação de ceramistas que existe na cidade e o CAPS, que realiza oficinas em argila como terapia ocupacional para os pacientes em tratamento, todos seriam beneficiados continua ele, além disso um forno local evitaria as perdas de algumas peças durante o transporte, já que as peças precisam ser encaminhadas para a cerâmica arco íris que fica próximo a cidade de Coxim, e durante a entrevista Robertson nos informou que infelizmente as queimas das peças de todos os artesãos de Coxim não acontecerá mais na cerâmica arco íris, parceira há mais de 20 nos dos ceramistas Coxinenses ficará inviabilizada as queimas, com tudo fica ainda mais evidente a necessidade da reforma do forno que existe em Coxim, peças paradas sem local para queima é dinheiro que não movimenta a economia da cidade e a população Coxinense é uma grande consumidora das cerâmicas produzidas pelos ceramistas locais.
Robertson agradece a cerâmica arco íris pelos 20 anos de parceria e que sem o apoio que receberam nesses anos todos todo trabalho dos artesãos estariam parados, "foi uma parceria muito importante para nós que sobrevivemos da nossa arte, toda gratidão a cerâmica arco íris conclui o artesão"
Para finalizar Robertson apela para sensibilidade do poder público para que todos os ceramistas da Cidade de Coxim possam finalmente receber de volta o forno, que já existe e só precisa de restauração e comemorar a retomada das vendas que estão em franca expansão na cidade, o Artista ainda informa aos amantes da arte em cerâmica que no próximo mês de março acontecerá a inauguração do seu espaço, com peças novas e exclusivas, nossa reportagem estará lá para cobrir esse acontecimento tão importante para cultura de Coxim.
