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Pnud: Má distribuição de renda pode fazer país despencar do ranking do IDH

25 JUL 2014 • POR • 14h03

O Brasil subiu uma posição no ranking mundial de desenvolvimento humano em 2013. Segundo dados divulgados ontem (24) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), o país ficou em 79º lugar no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) no ano passado, uma posição acima da registrada em 2012. Apesar da melhora, o Brasil continua abaixo de outros países latino-americanos como Chile, Argentina, Cuba e Uruguai.
Ocupando a 79ª posição no ranking internacional de desenvolvimento humano em 2013, o Brasil registraria posição pior se a desigualdade social fosse incluída neste cálculo. Segundo o Pnud, o país perde neste quesito 16 colocações com o ajuste do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) pela desigualdade.
De acordo com o Pnud, o IDH do país cairia 27%, ou seja, de 0,744 para 0,542 por esse critério, fazendo o Brasil passar para a 95ª colocação no ranking global, que tem 187 países. O IDH ajustado pela desigualdade social segue os mesmos parâmetros do IDH tradicional, mas desconta a desigualdade na renda, na educação e na expectativa de vida da população.
No caso do Brasil, a maior desigualdade ocorre pela má distribuição de renda, com 39,7% de diferença média entre ricos e pobres. Os índices correspondem a 24,7% para a educação e a 14,5% na expectativa de vida. Os valores são maiores que a média da América Latina e do Caribe, com desigualdade de 36,3% na renda, 22,2% na educação e 13,2% na expectativa de vida.
Luz no fim do túnel
“O Brasil tem uma trajetória de progresso acumulada durante anos, mas ainda tem muito a fazer.  Mesmo com a redução da pobreza nos últimos anos, o Brasil continua desigual”, diz o representante do Pnud no Brasil, Jorge Chediek. De acordo com o órgão, a cada ano, o país tem reduzido o impacto do cálculo da desigualdade no IDH. Em 2006, a nota brasileira tinha sido diminuída em 29,6% após o ajuste.
Criado em 1980, o IDH mede o desenvolvimento humano por meio de três componentes: expectativa de vida, educação e renda. Em 2013, o Brasil registrou 73,9 anos de expectativa de vida, 7,2 anos de média de estudo, 15,2 anos de expectativa de estudo para as crianças que atualmente entram na escola e renda nacional bruta per capita de US$ 14.275 ajustada pelo poder de compra.
O IDH do Brasil em 2013 subiu 36,4% em relação a 1980. Naquele ano, a expectativa de vida correspondia há 62,7 anos, a média de estudo era de 2,6 anos, a expectativa de estudo somava 9,9 anos, e a renda per capita totalizava US$ 9.154. “O Brasil é um dos países que mais evoluíram no desenvolvimento humano nos últimos 30 anos”, disse Jorge Chediek. Ele destacou que as mudanças são estruturais e têm ocorrido em todos os governos.
Por causa de mudanças na metodologia, a série histórica do IDH foi revista. Pelo critério anterior, o Brasil tinha ficado em 85º em 2012. Com a mudança de cálculo, o país subiu para a 80ª colocação no ano retrasado. Em 2013 subiu apenas uma posição.
Programas sociais
Ainda de acordo com o Pnud, a ampliação dos gastos públicos e os programas sociais ajudaram o Brasil a impedir o retorno das camadas mais vulneráveis da população à pobreza após a crise econômica global de 2008. 
De acordo com o documento, a política anticíclica (aumento de gastos públicos em momentos de baixo crescimento econômico), os programas de transferência de renda e a política de valorização do salário mínimo fizeram o consumo dos 40% mais pobres da população continuar a crescer em ritmo maior que a média da população.
Além da adoção de políticas anticíclicas, o relatório do Pnud recomenda a implementação de um piso de proteção social em todos os países. Segundo o documento, o nível mínimo de proteção social é possível mesmo nas nações mais pobres. Países desenvolvidos, como a Dinamarca e a Suécia, por exemplo, começaram a adotar essas políticas quando tinham uma renda per capita  semelhante à observada atualmente na Índia. (Carlos Pires/Com informações da Agência Brasil)