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Padre Micael aprova declaração de embaixador do Vaticano contra Estado islâmico

25 MAR 2015 • POR Ana Flávia Dorsa • 15h13

O embaixador do Vaticano nas Nações Unidas aprova uma ação militar contra o movimento Estado Islâmico no Iraque e na Síria, uma posição incomum, pois tradicionalmente o Vaticano opõe-se ao uso da força.

Durante uma entrevista ao site católico norte-americano Crux, Silvano Tomasi disse que os combatentes do Estado Islâmico estão cometendo atrocidades numa escala enorme e que o mundo tem de intervir. “Temos de parar esse tipo de genocídio, de outro modo iremos questionar no futuro porque não fizemos alguma coisa, porque permitimos que acontecesse tal tragédia”, defendeu o arcebispo italiano.

Silvano Tomasi referiu ser necessária uma “coligação bem pensada” para fazer tudo o que é possível para conseguir uma decisão política sem violência. “Mas, se isso não for possível, então o uso de força será necessário”, acrescentou. O papa Francisco já denunciou a “intolerável brutalidade” infligida aos cristãos e outras minorias no Iraque e na Síria pelos militantes do movimento Estado Islâmico.

De acordo com o líder da Igreja São José de Coxim, padre Micael Carlos Andrejzwski a igreja sempre foi a favor da paz, sempre pregou a paz. Para ele, um claro exemplo é a vida do Papa Pio XII. Na II Guerra Mundial o papa foi e colocado como um dos que apoiou o “nazismo”, mas contrariando essa acusação, ele afirma que o papa apenas se protegeu e ainda defendeu muitos judeus dentro das igrejas na Europa principalmente na Itália, no Vaticano. Com isso, a conclusão que ele chega é que precisamos nos proteger e não apenas assistir essas atrocidades.

“O catecismo da igreja católica, se analisado ao pé da letra aprova a pena de morte. Então todo o cidadão tem o direito de se defender. Em primeiro lugar vem à paz, somos contra qualquer tipo de violência, mas o ser humano tem o direito de defesa. Quem vai permitir que alguém entre na sua casa, te roube, te assalte, faça mal para sua família? Todos têm o direito de se defender. Quando vemos as cenas que este grava e apresenta para as redes de televisão e redes sociais, nos deparamos com cenas de brutalidade, de horror. Se nos colocarmos no lugar das famílias dos que estão sendo mortos já é difícil, mas imagina se fosse teu irmão, teu esposo, ou outro ente que estava sendo assassinado ali, isso cria uma grande revolta”, comparou o padre.

Micael acredita que nestes casos é preciso que aja uma ação para banir esta situação, pois, não é uma ação em favor da vida. A igreja sempre diz que mais abelhas se atraem com uma gota de mel do que um barril de vinagre quando falamos a respeito da paz, mas em contrapartida, precisamos nos defender.

“Visitei Israel recentemente e pude conhecer o seu exército. Lá está localizado o melhor exército do mundo, e eles são preparados, precavidos. Com oito milhões de habitantes entre mulçumanos, judeus e cristãos, eles são os mais treinados do mundo para se defender. Se quisessem acabar com a Faixa de Gaza já teriam feito, em três dias estaria tudo dizimado se agissem com violência. Mas apenas se defendem. Para tomar a Síria, Jordânia e o Egito levam cinco a sete dias conforme informações que obteve com militares durante visita. Porém buscam esse conhecimento, esse preparo apenas para se defender. Nós como igreja somos assim, procuramos a paz, caso contrário, apenas nos defender”, relatou o padre.

Para exemplificar o padre ainda declarou que “se houver uma onda de violência em Coxim e começam a decapitar pessoas, nós como Igreja, não podemos cruzar os braços e dizer que somos da paz e nem podemos negociar com essas pessoas. Conversamos com quem escuta e tem a capacidade de dialogar, casos contrários têm sim que usar a força e se precisar a Igreja vai usar”. Micael finalizou dizendo que não vê nada assustador na declaração do papa ou do embaixador, mas que banir a violência é um dever de todos, inclusive da Igreja.