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Tenente Coronel Adão Rosa lança cartilha contra as drogas

25 MAR 2015 • POR Ana Flávia Dorsa • 10h48

Pós graduado em gestão de segurança pública, com cursos de repressão ao narcotráfico pela Polícia Federal, curso de estratégia em segurança somado a 28 anos de experiência frente a Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, o tenente coronel Adão Rosa, atual comandante do 5° BPM de Coxim, agora lança uma cartilha contra as drogas.
A ideia surgiu ao longo da carreira em parceria com um grupo de pais de uma academia de Karatê na cidade de Mundo Novo. Desde então, a união de forças resultou no projeto “De olho no Futuro” que foi ganhando espaço e teve o apoio do Conselho municipal antidrogas e que agora recebeu o apoio dos municípios da Região Norte, poder judiciário, escolas, igrejas, imprensa, comércio e diversos segmentos da sociedade.
A cartilha traz uma abordagem simples, didática, muito acessível para a família. Apresenta os tipos de drogas e seus efeitos, não apenas o momentâneo, mas mediante o uso prolongado. No seu interior, um dos conteúdos mais importantes são os sintomas do usuário, afinal muitos pais ainda desconhecem e assim não percebem a aproximação da droga na vida familiar.
Com teor de orientação, a cartilha também indica quais as medidas que os pais devem tomar em caso de perceberem que o filho está fazendo o uso de drogas e em contrapartida como prevenir a chegada dela até as mãos dos jovens. 
O diálogo também é frisado na obra que finaliza com uma pesquisa e uma pequena atividade para tornar a cartilha mais interativa, mesmo ela tendo todo um layout colorido, com caricaturas e fotos de algumas crianças vestidas de profissionais.
“Decidi escrever essa cartilha depois de perceber que aqueles que iniciam o uso, desconhecem os males que estes entorpecentes causam na família e na saúde. A falta de informação é a principal brecha que a droga encontra para chegar até às famílias. E hoje, ela está presente em todas as camadas sociais”, .
O comércio da droga segundo o comandante é uma rede muito grande que chega a fazer todo um trabalho de pesquisa de mercado e marketing para chegar as classes sociais. Nos mais abonados, chega de mansinho, para tornar o ambiente mais descolado, já nos mais humildes, vem com a proposta de se tornar uma forma de ganhar dinheiro.
Para o coronel a droga ilícita que encontra o maior mercado é a maconha e cocaína e o grande fato é que elas estão entrando cada vez mais cedo na vida das pessoas. “Muitas vezes ela está implantada dentro das casas, os pais vendem a droga, consomem e a criança já nasce naquele meio tendo o primeiro contato através da mãe. É uma mistura bem triste de leite materno, cocaína ou maconha. Com isso, tem crianças que já nascem dependentes. É um problema social que não envolve somente a polícia, mas toda a sociedade”.
Com a cartilha, o tenente coronel acredita estar fazendo a sua parte, mas chama atenção para que todos contribuam de alguma forma contra esse problema, pois, acredita que o consumo de drogas é fruto de problemas assistenciais, falhas da educação, falhas nos projetos sociais. Hoje para Rosa, a polícia militar está dando exemplo, está trabalhando com programas educacionais para combater esse mal. 
“Só quem tem algum usuário na família sabe o tamanho do buraco que isso causa na célula máter e na sociedade como um todo. Os dados são alarmantes. Hoje a população carcerária é enorme, mal cuidada, mal instruída, e advêm em cerca de 60% de crimes que tem ligação com a droga. Acredito que Coxim é um município pequeno que tem possibilidades de controlar esse problema. As famílias precisam contribuir com o trabalho da polícia e dar limites para seus filhos”, enfatiza o coronel. 
Rosa pede para que os pais fiquem atentos as mudanças de comportamento. Sintomas como afastamento das atividades da casa, da escola, olhos vermelhos, má alimentação, falta de disciplina, marcas nos braços podem indicar o perigo. 
“Hoje o maior problema que vejo é a ausência da mulher dentro do lar. Foi uma perda muito significativa para a sociedade. A mulher sempre foi o esteio e a sua ida para o mercado de trabalho balançou as estruturas da família contemporânea. Desta forma ela terceirizou seu trabalho e aumentou sua carga de atividades. Portanto chamo atenção das mães para que mesmo cansadas, quando chegarem em casa,  se concentrem no seus filhos e deixem as questões domésticas em segundo plano. Cuidem do que seu filho está fazendo, acompanhem ele na escola. Também chamo atenção dos pais que ajudem as mulheres nessas jornadas e cuidem de perto dessas crianças e jovens, colaborando com a mãe nessa atividade”, recomenda o tenente coronel. 
Rosa disse que não mede esforços para combater esse tipo de crime e que o caso que mais marcou sua carreira, foi a de um homem que sobre o efeito de drogas, estuprou e matou uma criança de seis anos de idade. Esse caso doeu não apenas no psicológico do tenente coronel, mas na consciência de que é preciso lutar de forma incansável contra as drogas que faz tantas vítimas e apaga a vida de tantos inocentes. 
“Enquanto estiver com o poder de polícia em mãos farei tudo para combater as drogas, isso para mim é incansável, e quando me aposentar também estarei sempre aberto para ser voluntário neste tipo de trabalho”, finaliza o comandante.