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Preocupante: MS já adota medidas para garantir abastecimento de água

2 SET 2021 • POR João Prestes, Semagro • 08h05
Secretário Jaime Verruck diz que Semagro acompanha a situação nos rios do Estado   Reprodução / Governo do Estado

 A crise hídrica que afeta o país como um todo já obriga Mato Grosso do Sul a adotar medidas para evitar o desabastecimento de água em várias cidades, sobretudo aquelas que captam o recurso de rios. A afirmação é do secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), Jaime Verruck, feita durante reunião virtual do CERH (Conselho Estadual de Recursos Hídricos).
“A análise das séries históricas de chuvas permite identificar que nos últimos 22 anos predominaram condições de chuvas inferiores à média na bacia do rio Paraná. Na atualidade, tanto os índices pluviométricos, quanto os índices integrados de seca, apontam uma condição de seca que pode ser classificada como “severa” a “excepcional”, e que apresenta uma duração de mais de 24 meses”, cita trecho do estudo.
O secretário enfatiza que, para se recompor o nível dos reservatórios de grandes hidrelétricas, como Jupiá, Sérgio Motta e Itaipu (todas localizadas no rio Paraná), seria necessário ocorrer “um dilúvio”. “Mesmo se tivéssemos chuvas normais para o período – mas a indicação é que ficarão abaixo da média -  a recomposição se daria muito lentamente”, acrescentou.
O estudo conclui que, em termos de vazão, a porção alta da Bacia do rio Paraná enfrenta uma situação de seca hidrológica que pode ser classificada como “severa” e “excepcional” desde 2014 e que nesse ano se configura como a pior desde 1981. “Estamos passando por uma crise hídrica que poderá levar a região e o país a um apagão de energia elétrica, caso a estiagem se estenda e a próxima estação chuvosa não recupere os níveis dos reservatórios.”
Verruck aponta que ficou muito claro no posicionamento do governo, “inclusive está oficializado em resolução”, que a água será usada preferencialmente para geração de energia elétrica no país. “Todos os outros usos múltiplos serão suspensos. Isso já é uma diretriz, considerando os riscos que temos.”
Também demonstrou preocupação com a solução que normalmente é tomada nesses casos de crise hídrica: a abertura de poços profundos para extrair água do aquífero. “Normalmente esse é o movimento”.  Verruck salienta que “não há uma solução a curto prazo. Os contratos para geração de energia elétrica através das termelétricas estão feitos já para março do ano que vem”, e que o uso racional dos recursos hídricos é imprescindível nesse momento.