Logo Diário do Estado

Mãe denuncia racismo velado em farmácia após vendedor desconfiar que adolescente estava furtando

11 AGO 2021 • POR Renata Portela e Danielle Errobidarte - MIDIAMAX • 17h41
  Mãe e filho procuraram a 5ª Delegacia em Campo Grande - (Foto: Marcos Ermínio, Midiamax)

Mulher de 36 anos e o filho, de 17 anos, foram vítimas de situação vexatória na manhã desta quarta-feira (11) em uma farmácia localizada na Avenida Rachel de Queiroz, no Aero Rancho. O atendente teria desconfiado que o adolescente estava furtando e exigiu ver o que o jovem levava em uma sacola, que era apenas um desodorante comprado em outro estabelecimento.

Ao Midiamax, a mulher afirmou ter certeza que o caso se tratou de um racismo velado. Sem dizer diretamente às vítimas palavras de injúria, o atendente da farmácia será denunciado por constrangimento ilegal, pelo que fez mãe e filho passarem. Segundo a vítima, ela e o filho foram até a farmácia na manhã desta quarta-feira.

Eles teriam ido até uma farmácia na avenida, onde compraram um desodorante. Depois, seguiram para a farmácia que fica ao lado, já que ela queria comprar um produto de outra marca que não encontrou no primeiro estabelecimento. Quando entraram na fila do caixa para pagarem, foram abordados pelo atendente.

Segundo a vítima, o homem estava de jaleco e foi até o adolescente, pedindo para ver o que tinha dentro da sacola que ele carregava. Quando pegou o desodorante, viu a etiqueta da farmácia vizinha, pediu desculpas e devolveu o produto. “Me desculpa não”, disse a mulher na hora, bastante nervosa.

A mãe logo entendeu o que tinha acontecido, mas o adolescente ficou bastante constrangido e nervoso com a situação, já que nunca tinha passado por acusação desse tipo. Envergonhado, o jovem puxava a mãe, que acabou desistindo de comprar o produto no local e foi embora. Ela contou que chegou a pensar em chamar a Polícia Militar, mas acabou saindo já que o filho ficou muito envergonhado.

Como se nada tivesse acontecido, o funcionário da farmácia virou as costas e voltou para o balcão, sem dar explicações. Quando chegou em casa, a mulher pediu ao vizinho o contato de um advogado, que sabia que era conhecido dele. O advogado orientou as vítimas a procurarem a delegacia e registrarem boletim de ocorrência.

“Sempre falei para o meu filho que, se acontecesse alguma coisa com ele, falasse. Se alguém falasse do cabelo dele, era para chegar em casa e conversar”, disse a mãe. Segundo ela, o filho já sofreu bullying no colégio por causa do cabelo. Indignado com o que passou na farmácia, o adolescente disse que não viu o atendente revistar bolsas de mulheres que estavam atrás deles, na fila.

“Com certeza foi racismo sim, mas foi preconceito velado”, disse a mulher. Sem dizer uma palavra ofensiva, a atitude do atendente acabou dizendo tudo. Mãe e filho também se emocionaram e choraram com o ocorrido, mas foram determinados até a 5ª Delegacia de Polícia Civil, pois querem que o funcionário da farmácia preste esclarecimentos.

“Muita gente fala que nos vitimizamos, que era para deixar pra lá, mas vou até o fim”, finalizou a mãe. O crime de constrangimento ilegal está previsto no artigo 146, do Código Penal, e pode resultar em pena de detenção de três meses a um ano, ou multa.