Lixo nas ruas de Coxim é falta de consciência ou de educação?
18 MAR 2015 • POR Carlos Pires • 09h05Quem abre um pacote de balas ou qualquer outro produto e descarta a embalagem numa calçada ou nas ruas de Coxim pode pensar que aquilo não fará diferença, mas está enganado. Mas, são muitos os riscos causados pelo acúmulo de lixo como, por exemplo, enchentes e a emissão de gases tóxicos.
O lixo também pode gerar chorume e contaminar a água e o solo. Ainda pode servir de abrigo e alimento para animais e insetos que são vetores de doenças. As mais comuns são a leptospirose, peste bubônica e tifo murino, causadas pelos ratos, além de febre tifóide, o cólera causadas por baratas, malária, febre amarela, dengue, leishmaniose e elefantíase, transmitidas por moscas, mosquitos e pernilongos, entre tantas outras pragas e endemias.
Em tempos de chuva, o acúmulo de lixo em regiões inadequadas pode trazer mais perigos. O lixo disposto clandestinamente em locais como terrenos baldios, margens de córregos, rios e de ruas contribui diretamente com as enchentes, o qual vem potencializar as mesmas. Entope as ‘bocas de lobo’ e as galerias de água fluvial, além de assorear os córregos e rios, o que diminui consideravelmente a vazão dos mesmos. As enchentes espalham o lixo e contaminam a água e os alimentos.
Com tantos problemas originados pelo lixo, por que algumas pessoas insistem em ignorar tudo isso e continuar jogando resíduos em locais públicos? Será por falta de lixeiras ou falta de educação mesmo?
Muita gente joga a culpa do problema do lixo no poder público. O lixo jogado nas ruas demonstra uma falta de conscientização individual em relação ao papel de cada um na construção e organização do espaço da cidade. A realidade é que falta às pessoas a importante percepção de que a cidade que sujam é a mesma em que moram, trabalham e vivem.
A Avenida Virgínia Ferreira, um dos cartões postais da cidade, amanhece toda segunda-feira, após a diversão noturna dos baladeiros nos sábados, coberta de garrafas, copos descartáveis, cacos de vidro e todo tipo de resíduos. Isto se agrava mais ainda quando vândalos resolvem espalhar propositalmente os sacos de lixo emporcalhando as ruas.
Essa carência de civilidade aumenta o trabalho dos serviços de varrição por parte da limpeza pública, que passa a ser um exercício quase que eterno, pois nunca alcança um resultado satisfatório. Neste sentido, fica claro que a cidade carece de projeto educativo que demonstre às pessoas o seu papel na construção do espaço como um todo e na preservação do ambiente.
O ideal seria separar o lixo domiciliar em duas partes: a parte não reciclável e a parte reciclável. A não reciclável (tecidos, fraudas descartáveis, papel higiênico, restos de carne, frutas, verduras e outros alimentos) deve ser descartada em aterros sanitários. Vale lembrar que restos de frutas, cascas e alimentos podem se usados para a fabricação de adubo orgânico. Já o material seco que pode ser reciclado ou reutilizado deve ser encaminhado à coleta seletiva. Antes de tudo, busque diminuir quantidade de lixo que produz e fique de olho no que sobra do consumo.
Parece fácil falar não é mesmo? Mas antes de começar, você não pode dizer que é difícil fazer. O que falta é somente um pouco de boa vontade e mais consciência ecológica, pois, afinal de contas, somos a porta de entrada para o Pantanal – o maior bioma ecológico do planeta.
