Quadrilha é suspeita de roubar R$ 1 milhão em gado em MS
10 MAR 2015 • POR CGnews • 10h04Após um mês de investigações, equipes do Garras (Grupo Armado de Repressão a Roubo a Banco, Assaltos e Sequestros), em parceria com o 1º distrito policial de Aquidauana, conseguiram desmantelar uma das maiores e mais organizadas quadrilhas de roubo de gado dos últimos dez anos de Mato Grosso do Sul.
O trabalho de investigação levou a prisão de dez pessoas, que foram apresentadas na manhã de ontem (9) na sede do Garras, na Capital. Segundo o delegado-adjunto Fábio Peró, a quadrilha tinha como mentores Hélio Angelo dos Santos, 38, que chegou a ser funcionário do frigorífico JBS, Ronaldo Ribeiro Melo, 25 e Dilson Aparecido Almada, 38. Todos já possuíam passagem pela polícia pelo mesmo tipo de crime. “Eles são considerados nomes fortes no roubo de gado e estavam unindo forças para ampliar sua rede de atuação”, explicou Peró.
A quadrilha praticou os furtos em propriedades de várias regiões do Estado, como Campo Grande, Aquidauana, Jaraguari, Terenos e Nova Alvorada. Segundo a polícia, as propriedades escolhidas ficavam à beira da estrada para facilitar o transporte e fuga dos bandidos e também a vigia do local que seria alvo da ação.
Para escapar da polícia e da fiscalização da Iagro, os motoristas fugiam por estradas cabriteiras. Foram recuperadas 300 cabeças avaliadas em R$ 600 mil, porém, segundo Ruy Fachini Filho, um dos diretores da Famasul, também presente na apresentação da quadrilha, o valor da avaliação pode chegar a R$ 1 milhão, já que grande parte do gado é composta por animais utilizados para o aprimoramento genético.
Alguns animais furtados são da raça Brangus e conforme Faccini, um touro dessa raça pode chegar a R$ 40 mil. O restante do gado tinha como destino o abate. Além dos dez integrantes, a polícia também apreendeu dois caminhões utilizados no transporte dos animais, um veículo Celta e uma caminhonete Amarok, além de cordas, dois revólveres ; um de calibre 38 e outro 36, munições, facões, um serrote e uma serra elétrica.
O material era usado para abrir caminho e facilitar o acesso ao gado e sua embarcação nos caminhões. O gado era escondido em propriedades de difícil acesso na região de Aquidauana e depois de obterem notas fiscais frias, a quadrilha, vendia os animais para empresários, alguns, segundo a polícia, não tinham conhecimento da origem do gado.
Segundo o delegado Fábio Peró, dois outros integrantes já foram identificados e tiveram prisão decretada, o que deve ocorrer até o final de abril. Os dez integrantes presos serão indiciados por lavagem de dinheiro, receptação, porte de arma e organização criminosa, além de falsidade ideológica. “Esse último crime era cometido para conseguir as notas fiscais frias junto a Iagro e ainda será investigado como essas notas eram obtidas”, ressaltou Peró.
Participaram da coletiva também o Delegado Geral da Polícia Civil, Roberval Maurício Rodrigues, o titular do Garras, Edilson dos Santos e o presidente do Sindicato Rural de Campo Grande, Oscar Sturk que, ao lado da Famasul, auxiliou o trabalho da polícia com informações técnicas sobre os gados.
Foram apresentados ontem, além dos três mentores, os irmãos Odair José Morais, 26, Marcio Antonio Moraes, 24 e Marcos Lean Morais, 22, além de Leandro Sanchez, 18, Elias Gomes de Sena, 52, Luis Fernando de Oliveira Farias, 26 e Elinton Pereira de Souza, 26.
Antônio de Paz Melo, 45 pai de Ronaldo, também integra a quadrilha e está sendo procurado pela polícia, mas ainda não foi localizado.
