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Lixão de Coxim ameaça saúde pública

3 MAR 2015 • POR Jaqueline Lorena/ DES • 09h42

O local destinado aos resíduos sólidos, o lixo do município, está situado à margem esquerda da Rodovia BR 163, sentido Campo - Grande / Coxim, com área de 81.316.60m², aproximadamente 8,2 hectares, há cerca de 1,5 km do rio Coxim. Desde 1993 os moradores contribuem mensalmente com uma taxa de coleta do lixo. 
Antes a forma dessa cobrança do lixo era junto com o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), mas atualmente essa taxa vem sendo cobrada junto com a conta de água. Essa mudança ocorreu devido ao convênio celebrado, no dia 16 de julho de 2001, entre a Prefeitura e a SANESUL (Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul S.A), com o objetivo de atribuir a essa empresa a função de arrecadar em nome do município. O dinheiro então arrecadado é repassado para a Prefeitura.
A cobrança é baseada na produção de lixo gerada por cada morador de acordo com a região da cidade. Os valores pagos consideram também os custos para a Prefeitura realizar a coleta. Cada pessoa é capaz de produzir por dia 1,5 kg de lixo, se uma casa possuir quatro pessoas, em dois dias essa família terá 12 kg de lixo. 
Segundo a Política Nacional de Resíduos Sólidos o prazo para que os municípios dessem fim aos lixões foi prorrogado, porém Coxim ainda não apresentou uma solução para o fim do lixão. A população deseja essa melhoria que garante a saúde e a qualidade de vida dos moradores e principalmente dos trabalhadores que lidam diariamente com os resíduos. Sem contar que o fim do lixão também diminui o impacto ambiental, conservando assim nosso meio ambiente e seus recursos naturais. 
A catadora de materiais recicláveis Amélia Santos da Silva 69 anos, moradora do bairro Nova Coxim, está na cidade há 34 anos e comercializa o material que recolhe no lixão, gerando por mês uma renda de R$300 a R$400 reais. Conforme a moradora, só é possível arrecadar esse valor trabalhando todos os dias do mês sem falhar. Com o dinheiro, ela que é uma das mantenedoras da casa, sustenta o neto e ainda ajuda o filho e o marido, mas está exposta aos perigos que o lixo oferece. 
O trabalho é árduo, e a catadora tem que enfrentar dificuldades como sol quente, temporais, animais, contaminação, cheiro forte, insetos entre outros. O mais preocupante são os materiais infectantes como luvas cirúrgicas, seringas e remédios. Segundo Amélia em épocas de vacinação o cuidado é redobrado, pois a quantidade desse tipo de lixo é muito superior ao que normalmente é descartado.
Amélia explicou que os catadores separam o lixo em sacos grandes que pesam em torno de 50 kg. No mês de fevereiro, cerca de 300 sacos foram separados pelos catadores totalizando 15.000kg de materiais a serem reciclados. 
Não é possível que em pleno século 21, pessoas ainda vivam catando lixo de maneira tão desumana e tão cruel. O poder público, o Ministério Público não pode fechar os olhos e fingir que estas pessoas não existem. A Prefeitura de Coxim informou através do engenheiro civil e diretor de planejamento urbano, Reinaldo Mello que até o momento não existe nenhuma ação envolvendo o lixão, mas que com a ajuda da Funasa (Fundação Nacional de Saúde), Crea (Conselho Regional de Engenharia Arquitetura e Agronomia) e Cointa (Consórcio Intermunicipal  para o Desenvolvimento Sustentável da Bacia Hidrográfica do Taquari ) um projeto estará sendo desenvolvido para as cidades da região para que o lixão seja exterminado e que os municípios cumpram à lei. Segundo o engenheiro uma reunião na semana passada aconteceu na Assomasul (Associação dos Municípios de Mato Grosso do Sul) para tratar do problema.