Idoso morre após 2ª dose da vacina e família contesta na Justiça laudo de covid
1 ABR 2021 • POR Campo Grande News • 09h10A família de paciente de 81 anos falecido nesta terça-feira (30) na Santa Casa de Campo Grande foi à Justiça pedindo realização de teste para detectar a presença do novo coronavírus no corpo. O hospital diz que ele morreu em decorrência de infecção generalizada e estava com os sintomas da covid-19, confirmados por exame colhido no dia 29 de março, um dia antes do óbito.
Para a família, porém, não havia a possibilidade de contágio pela doença, pois Querino Antônio da Conceição já havia tomado as duas doses de vacina contra a covid-19.
Comprovante anexado ao processo mostra as duas datas: 13 de fevereiro para dose 1 e 13 de março para a dose 2. Ambas foram recebidas no drive thru do Parque Ayrton Sena.
As notas técnicas já divulgadas sobre a vacina recebida, a Coronavac, fabricada pelo Instituto Butantan, informam que são necessária pelo menos duas semanas para a imunização ocorrer de fato. Ainda assim, conforme profissionais ouvidos pela reportagem, nenhum dos medicamentos já desenvolvidos é cem por cento garantido.
Como foi - De acordo com o relato da família, o idoso foi hospitalizado no dia 18 de março, por causa de ferimento no dedão do pé, consequência de diabetes descontrolada.
Ficou, segundo o filho, Antônio da Conceição, 5 dias na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Bairro Universitário. Depois disso, foi transferido para a Santa Casa de Campo Grande.
Lá, a médica responsável chamou a família para conversar e disse que a solução do caso exigia amputação da perna atingida. Os filhos não aceitaram o procedimento e disseram que fariam reunião familiar para decidir o que fazer.
Optaram por transferir o paciente de unidade hospitalar, mas contam que, ao buscar a Santa Casa para fazer isso, descobriram que Querino estavam em outra ala, a destinada a pacientes acometidos pela covid-19.
Conforme o servidor público, por meio de videochamada, outra médica comunicou que o pai estava com a covid. Houve então o questionamento sobre como isso pode ter ocorrido, se já haviam sido aplicadas as duas doses.
No dia 30, o idoso faleceu, mas ainda não foi sepultado, pois a família não aceita o diagnóstico de covid-19 e entrou na Justiça com pedido para um novo exame.
Não houve apreciação da solicitação de liminar ainda.
Posicionamentos - "O tempo esperado para resposta imunológica é de 14 dias, no entanto pode variar de acordo com cada organismo", informou a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) à reportagem.
No hospital, foi dada a informação de que a morte ocorreu por sepse generalizada, ou seja, uma infecção que se espalhou de forma incontrolável, e que havia “sugestividade” de covid-19, atestada pelo exame.
No pedido à Justiça, os familiares acusam o hospital de ter transferido o doente para a ala de covid como uma espécie de punição por não aceitar a cirurgia para amputar a perna. Afirmam, inclusive, que sugeriram um procedimento menos invasivo, e sugerem que o hospital queria fazer o mais severo para ganhar mais dinheiro com o procedimento.
Sobre isso, a Santa Casa ainda não se manifestou.
