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Onda de assaltos causa insegurança e medo na população de Coxim

12 FEV 2015 • POR • 09h17

Episódios recentes de constantes assaltos a residências e comércios têm levado medo e pânico ao cotidiano dos moradores Coxim. Todos os dias somos surpreendidos com notícias sobre crimes, todavia, quando acontece muito próximo de nós é que temos esse choque de realidade e paramos para refletir. O crescimento e a simplicidade das pacatas cidades do interior fazem com que, muitas vezes, a criminalidade se organize antes do poder público. 
Algumas vezes sentimos impotência diante de tantos acontecimentos que ultrapassam nossa compreensão. Queremos fechar os olhos ou inventar razões para justificar a violência. Os mecanismos de autodefesa começam a atuar e, de repente, deslocamos a violência da nossa consciência. Ela atinge os outros, acontecem por reações descontroladas, por imprudência, por circunstâncias infelizes; manifesta-se na periferia e no centro, bem próximo da nossa própria realidade. Assim, banalizamos a violência, mas não a eliminamos. Ela tem mil e uma faces. Às vezes sua presença é sutil, escondida, mas não menos perigosa. Começa com a violação dos direitos das pessoas e termina nas dimensões estruturais. Precisamos conhecê-la para poder combatê-la.
Mas não basta somente o conhecimento das diferentes manifestações da violência. Estamos intimados a buscar também o desmantelamento dos mecanismos estruturais que causam ações e situações violentas. Somos chamados a descobrir as origens e as causas de sua banalização, assim como as suas conseqüências. Tal conscientização é vital para a existência do ser humano hoje, assim como é vital para a construção de uma sociedade futura mais humana — uma sociedade favorável à vida em vez de promotora da morte.
Segurança pública é responsabilidade tripartite. A desocupação, o desemprego, e a inércia dos governantes criaram um universo de insegurança e sofrimento. A necessidade de reforma em nosso Código Penal é gritante, atribuindo mais severidade, acabando com a progressão de pena e, principalmente, reduzir a maioridade penal, posto que mesmo que presos “os de menor” voltam às ruas rapidamente para matar e roubar, pois, afinal, como eles mesmos enfatizam: “são de menor”. A violência humana e urbana, onipresente no cotidiano, ignora nossos esforços para mantê-la distante e invade nossas vidas das mais diversas maneiras, muitas vezes deixando marcas difíceis de serem apagadas das nossas memórias. 
É um absurdo nos tempos atuais sermos expostos a barbárie dos tempos medievais em que se fazia valer tudo pela força da brutalidade e da imposição cruel da violência em todos os sentidos. E nós ficamos atônitos, imaginando que Coxim não tem jeito, e acabamos ficando reféns do medo ou nos armamos de mera ilusão para nos sentirmos protegidos, se é que isso é possível. 
A sociedade coxinense tem jeito sim. Precisamos diminuir a desigualdade social, combater a corrupção, a impunidade, eleger políticos sérios que tenham compromisso com o povo. Coxim não é um beco sem saída, ou uma cidade sem lei. Precisamos como cidadãos participar intensamente das decisões políticas, exigir punição dos culpados pelos crimes de maneira exemplar e intensificar os investimentos na educação de qualidade. Não tem sentido um presidiário custar ao ano mais que um aluno das escolas públicas. Enquanto continuarmos enveredando por esses caminhos, continuaremos convivendo com o peso inconveniente da violência. Cabe ao cidadão de bem tomar certos cuidados, principalmente com estranhos que vivem à espreita de nossos lares ou comércios, e denunciá-los às autoridades. É melhor primar pelo excesso de cuidado do que pela falta dele.
O fato é que a bandidagem está achando que Coxim é uma terra sem lei e que embora consigam executar suas ações com algum ‘sucesso’, o serviço de inteligência da polícia tem se mostrado bastante eficiente na elucidação destes crimes e reforça a velha máxima que diz que o crime não compensa.