Comunidade em Destaque
Comunidade Terapêutica abriga 28 pessoas que lutam contra as drogas
6 FEV 2015 • POR Ana Flávia Dorsa • 16h06Há dois anos e meio um grupo de amigos de Coxim tiveram a ideia de montar a Comunidade Terapeutica Abraçando Vidas e assim o trabalho começou. Recebendo um grande apoio do comércio, da família de dependentes e da imprensa a rotina da Comunidade começa cedo. Às 6h15 da manhã é o despertar, depois segue com o café, capela, terapia, tereré, almoço, labor, momentos para cuidados próprios, reuniões, momentos de reflexão, lanches, horta entre outras refeições assim como a confecção dos Pães na recente padaria industrial montada no local.
“Minha irmã, Kátia Softov é a minha maior incentivadora. Estamos fazendo um programa de assistencialismo e mantemos 72% dos componentes do nosso grupo totalmente custeado pelas arrecadações que recebemos. Agora nossa padaria já está funcionando, temos serviço de solda entre outros para aumentar nossa renda e assim darmos o melhor para quem está aqui. Muitos chegam aqui totalmente debilitados, sem documentos sem roupa sem nada” conta o coordenador da comunidade Roberto Softov.
Atualmente o local abriga 28 pessoas, o coordenador disse que tem muita gente que procura a comunidade para tratar familiares, porém os recursos não comportam, até por que não recebem ajuda do poder público. Ele conta que o número de pessoas que já passaram pelo local é bem expressivo, mas que muitos ficam pouco tempo e já saem, mesmo com a ciência que o ideal de tratamento seria de um ano.
“Muitos voltaram a serem pais novamente, a serem irmãos novamente, a serem filhos, sendo gente novamente, reconquistaram sua dignidade saindo da miséria do uso para uma qualidade de vida sem o uso de drogas” destaca Softov.
As visitas só acontecem no segundo domingo de cada mês, das 10hs após a Missa até às 16hs. Todos residem no local e ficam até a alta. Muitas igrejas nos ajudam, muitas pessoas doam desde roupas, medicamentos comida. O Posto de Saúde do bairro oferece o atendimento médico necessário, como o de psicóloga, psiquiatra em fim o melhor possível é oferecido.
Choque de realidade – O coordenador lembra com tristeza um momento de partilha entre os companheiros em que um dos internados contou que a sua mãe lhe pediu para que a matasse com a faca que estava na cozinha para que o sofrimento de ver o filho drogado fosse acabado. “Essa história comoveu e marcou a todos que estavam presentes. E essa é a realidade da droga. Faz as pessoas chegarem ao ponte de não mais desejar a vida. Graças à Deus esta história teve um final feliz e hoje este homem mora em Campo Grande, trabalha, namora e quer ter uma família”.
Experiência – Depois de passar por sete comunidades, Roberto Softov aprendeu como é a rotina e a dinâmica deste trabalho e como conseguiu também se livrar do vício que para ele durou 20 anos, dedicou sua vida à ajudar outras pessoas que estão na luta contra as drogas. O coordenador também se preparou tecnicamente e realizou cursos na Federação Brasileira Terapêutica nem Campinas, no Senar, Denar de Brasília para aprimorar meus conhecimentos.
Desde 2003 na luta contra as drogas Softov diz que não teve escolha, que uma hora de sua vida teve que se tratar ou iria morrer. “Eu perdi muitas coisas na minha vida. Não formei, não constitui família, não adquiri bens materiais, fiquei com debilidades físicas, com a dependência de medicamentos para dormir, dores no corpo, perdi um irmão com overdose.Vivo pela fé em Deus, mas também posso dizer que ganhei algumas coisas, conhecimentos, experiência de vida e hoje posso ajudar outras pessoas. Larguei tudo para viver só isso, nem me lembro do primeiro contato, mas foi de treze para quatorze anos”.
