Logo Diário do Estado

Baixa qualidade no ensino é barreira para ampliar público leitor

6 FEV 2015 • POR • 12h03

A escritora Lucília Garcez, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) e a pesquisadora Zoara Failla concordam: a baixa qualidade do ensino no país pode estar contribuindo para que os alunos leiam pouco e não criem uma relação duradoura com a literatura. Gerente-executiva de projetos do Instituto Pró-Livro, formado pelas principais associações de livreiros nacionais, Zoara coordenou a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, último levantamento de peso feito no país sobre o assunto.
A sondagem, encomendada ao Ibope e lançada no início de 2012, ouviu cerca de 5 mil pessoas em 315 municípios e concluiu que a parcela de não leitores aumentou de 45%, em 2007, para 50%, em 2011. A pesquisa considerou como leitores as pessoas que declararam ter lido, inteiro ou em partes, pelo menos um livro nos últimos três meses.
— Tem se investido muito em livros e o que se esperava é que tivesse melhorado — diz a pesquisadora.
Para a escritora Lucília Garcez, doutora em lingüística aplicada pela Universidade de Brasília (UnB), o interesse dos jovens e adultos pela literatura começa na escola, que não cumpre seu papel.
— A escola funciona mal como formadora de leitores. Ela não é capaz de desenvolver na criança uma leitura proficiente, a criança não sai da escola dominando a leitura e os professores não são bons formadores de leitores. Eles não levam a criança a descobrir a leitura como uma fonte de prazer, a descobrir a leitura como uma fonte de conhecimento, como uma fonte de crescimento. Então, a escola falha — diz a escritora, que possui 17 livros publicados, entre eles Técnica de Redação.
Um dado que chama a atenção é a queda no índice de leitura a partir dos 25 anos de idade. Na faixa até 24 anos, 49% dos entrevistados disseram serem leitores, mas, dos 25 aos 70, o percentual de não leitores foi de 75%.
— Outra falha da nossa escola é essa: por que ela estimula a leitura durante a escolarização e essa leitura não é duradoura? Não permanece? A pessoa não cria o hábito de ler duradouro, para o resto da vida — questiona Lucília Garcez.