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Aras retoma negociações sobre delação de advogado que cita suposta irregularidade de amigo de Moro

4 JUN 2020 • POR G1 • 08h35
  Reprodução

O procurador-geral da República, Augusto Aras, decidiu retomar a negociação de um acordo de delação premiada com o advogado Rodrigo Tacla Duran, que atingiria um amigo do ex-ministro da Justiça, Sergio Moro. Duran é foragido da Justiça e teve sua proposta de delação rejeitada pela Operação Lava Jato em 2016.
A retomada das negociações para uma nova tentativa de delação foi divulgada pelo jornal "O Globo".
O advogado foi apontado pela força-tarefa da Lava Jato como um operador financeiro da Odebrecht no exterior. Ele foi alvo da 36ª fase da operação em novembro de 2016, mas estava fora do país.
No mesmo ano, tentou um acordo de delação premiada para reduzir o valor da multa aplicada pela Justiça, de R$ 55 milhões.
Na época, Duran acusou o advogado Carlos Zucolotto, amigo pessoal do então juiz Sergio Moro, de ter recebido R$ 5 milhões de dólares para ajudá-lo a obter vantagens no acordo de delação.
A procuradoria-Geral da República investigou as denúncias e arquivou o caso em 2018, argumentando que não ficou comprovada a prática de crimes.
Segundo o jornal "O Globo", as conversas para uma nova delação surgiram há aproximadamente três meses, antes do rompimento entre Moro e Bolsonaro. Porém, avançaram mais recentemente e, no início de maio, foi assinado um termo de confidencialidade para formalizar a fase preliminar das tratativas de acordo.
Nota de Moro
O ex-ministro e ex-juiz da Lava-Jato, Sergio Moro, reagiu à decisão da Procuradoria -Geral da República de retomar o processo de delação.
Em nota, Moro afirmou que "os relatos de Rodrigo Tacla Duran sobre a suposta extorsão que teria sofrido na operação Lava Jato, com envolvimento de um amigo pessoal, Carlos Zucolotto Júnior, já foram investigados na Procuradoria-Geral da República e foram arquivados em 27/09/2018, com parecer do então vice-procurador-geral da República".
Na ocasião, segundo Moro, "o relato não verdadeiro prestado por acusado foragido do país teve o destino apropriado: o arquivamento. Como sempre frisei, ninguém está acima da lei, por tal razão, disponho-me a prestar qualquer esclarecimento que se vislumbre necessário sobre os fatos acima".
Moro disse ter ficado indignado com a retomada dos diálogos da PGR com Duran justo no momento em que deixou o governo Bolsonaro.