Dilma se reúne com 39 ministros e defende pacote de ajustes
29 JAN 2015 • POR • 09h21Depois de quase um mês sob intensas críticas da imprensa e da oposição, a presidente Dilma Rousseff (PT) defendeu pela primeira vez os ajustes econômicos anunciados nas últimas semanas pelos seus ministros, definiu-os como necessários para o país crescer e negou que tenha alterado o projeto que apresentou aos eleitores. “Tomamos algumas medidas que têm caráter corretivo. São medidas estruturais que se mostram necessárias em quaisquer circunstâncias”, disse a presidente durante a abertura da primeira reunião ministerial de seu segundo mandato na tarde de terça-feira na Granja do Torto. Foi a primeira vez que a presidente discursou após ser reempossada no cargo, em 1º de janeiro.
Desde a vitória nas urnas, o Governo elevou as alíquotas sobre combustíveis (gasolina e óleo diesel), sobre operações financeiras, sobre importações e aumentou os impostos dos cosméticos. Esses ajustes devem resultar no aumento da arrecadação em até 20 bilhões de reais. Além disso, vetou a correção de 6,5% do Imposto de Renda e alterou regras trabalhistas, como as relacionadas às pensões, seguro desemprego e licença por questões de saúde — mudanças que, para serem definitivas, têm de passar pelo Congresso. Como durante a disputa eleitoral, a presidente afirmou que não haveria “arrocho” à custa dos mais pobres e disse que benefícios trabalhistas não seriam mudados “nem que a vaca tussa”. Alguns oposicionistas, como o senador Aécio Neves (PSDB), passaram a martelar que Dilma praticava um “estelionato eleitoral”.
Para destruir essa tese a presidente conclamou seus assessores a travarem uma batalha da comunicação para mostrar aos brasileiros que ela não alterou, “em um só milímetro”, o compromisso com o projeto vencedor da eleição do ano passado: “Nós não podemos permitir que a falsa informação se crie e se alastre. Reajam aos boatos”, afirmou. E completou: “Quando disserem que vamos acabar com as conquistas históricas dos trabalhadores, respondam em alto e bom som: ‘Não é verdade, direitos trabalhistas são intocáveis’. Não será o nosso governo, um governo dos trabalhadores, que irá revogá-los.”
Sobre a crise da Petrobras, envolta no escândalo da Operação Lava Jato, a presidente afirmou que a companhia já vem passando por um rígido processo de aprimoramento de gestão. Ela defendeu também que as empreiteiras privadas envolvidas no esquema, entre as maiores do país, não sejam destruídas. “Devemos punir as pessoas, não destruir as empresas. As empresas são essenciais para o Brasil. Temos de saber punir o crime. Temos de saber fazer isso sem prejudicar a economia e o emprego do país”, afirmou. A sinalização da presidente sobre as empresas envolvidas no escândalo ocorre num momento em que as investigações começam a comprometer as finanças das companhias.
Para não ser vinculada apenas a um “pacote de maldades”, como foi apelidada a série de reajustes de impostos, Dilma anunciou medidas de combate à corrupção que vai encaminhar ao Congresso Nacional no próximo mês. São elas: transformar em crime o caixa dois em campanhas eleitorais, punir com maior rigor o enriquecimento ilícito de agentes públicos, criar uma nova espécie de ação judicial que permita o confisco de bens adquiridos de forma ilícita, acelerar o julgamento dos processos que envolvem o desvio de recursos públicos e os que envolvem políticos com foro privilegiado.
A presidente disse ainda que pretende apresentar um Plano Nacional de Exportações e um programa de desburocratização voltado para pequenas e micro empresas. Dilma também sinalizou que vai ampliar as concessões de rodovias, portos, aeroportos e hidrovias para a iniciativa privada e prometeu construir mais três milhões de moradias do projeto Minha Casa Minha Vida até o fim de seu mandato.
