Secretário de saúde aponta para duplicação de casos de covid-19 em até 10 dias em MS
18 MAI 2020 • POR G1 MS • 14h55Em coletiva realizada na manhã de sábado (16), o secretário de saúde de Mato Grosso do Sul, Geraldo Resende, disse que, caso a média de casos de covid-19 no estado continue na mesma proporção, a tendência é de duplicar a incidência da doença em até 10 dias. O secretário ainda cobrou uma rigidez mais firme e ações na área da saúde de prefeituras de municípios no sudoeste do estado.
De acordo com Resende, a situação atual do coronavírus em Mato Grosso do Sul é "motivo de preocupação muito grande de toda a equipe da Secretaria de Saúde e de todos os municípios". "A continuar nesse patamar de média de 6% de crescimento ao dia, nós poderemos, daqui de 7 a 10 dias, duplicar os casos que hoje chegam a 508 no estado. Obviamente a duplicação de casos também aumentarão casos críticos, de pacientes que precisarão de leitos de UTI, o que é muito preocupante", afirmou.
Na mesma coletiva, a secretaria de saúde divulgou os dados atualizados da covid-19 no estado, com um crescimento de 29 novos casos da doença, o maior em 24 horas desde que o primeiro caso de coronavírus foi registrado em Mato Grosso do Sul.
Resende ainda fez críticas a gestão das prefeituras da região sudoeste do estado, que tem três municípios entre os 7 com maior incidência de covid-19: Guia Lopes da Laguna, Jardim e Bonito. "Estamos tentando, na nossa gestão e sei que nas anteriores também, fazer com que a região avance no atendimento de alta e média complexidade na saúde, como por exemplo clínicas de hemodiálise".
"Durante a pandemia, fizemos uma varredura procurando a busca ativa de gestores, prefeitos e secretários municipais de saúde, para criar um fluxo de atendimento de leitos clínicos e UTI para todas as regiões do estado. Infelizmente, mais uma vez, encontramos resistência na região sudoeste, com alguns dizendo até ser um presente de grego", disparou.
Ainda na coletiva, o secretário estadual de saúde disse ser "penoso, cruel e até criminoso" não haver atendimento médico adequado na região. "É vergonhoso o paciente precisar sair de perto da fronteira com o Paraguai e ter que se dirigir a Campo Grande três vezes por semana, para fazer sessão de hemodiálise ou receber qualquer atendimento de alta e média complexidade apenas na capital, percorrendo até 500 quilômetros para isso", afirmou.
Até a tarde deste sábado, 15 pessoas haviam morrido por conta da doença no estado. A última vítima foi confirmada na última sexta-feira (15). Era um homem de 53 anos, que estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Nossa Senhora das Graças, em Três Lagoas.
