Morte de comerciante choca população de Coxim
22 JAN 2015 • POR Ana Flávia Dorsa • 09h30O assassinato do comerciante Leandro Parreira de Souza chocou a cidade e agora é um desafio para a Polícia Civil de Coxim e até do Mato Grosso do Sul. A busca para dar uma resposta para a morte de Parreira está mobilizando toda a polícia que passou o dia de ontem completamente envolvida averiguando todas as informações que chegavam à todo momento na delegacia.
“A população está sendo muito importante nesta situação e está colaborando muito com a polícia. Nossos investigadores da Civil, juntamente com a polícia Militar, Rodoviária e até com o pessoal do presídio, estão muito unidos para elucidar este caso e dar uma resposta para a sociedade. Estou esperançosa”, diz a delegada responsável pelo caso, Silvia Elaine Girardi.
Com freqüência a cidade está sendo alvo de criminosos de outras localidades. No ano passado, quem mora em Coxim acompanhou o assalto à uma Casa Lotéria, onde os criminosos quebraram até uma parede para entrar no recinto, também teve o roubo de uma loja de jóias onde a prateleira foi totalmente limpa. Também teve a limpa de uma loja de roupas que segundo a proprietária foram mais de R$ 100 mil reais de prejuízo. Todos os eventos citados acima foram executados por bandidos “importados”.
Desta vez foi o comerciante Leandro Parreiras de Souza a vítima e teve sua vida ceifada pelos criminosos. Enquanto recebia amigos em casa junto com sua família, foi surpreendido por um trio armado que adentrou à sua casa e levou pertences de valor da sua família. Leandro reagiu e foi baleado na cabeça, morrendo horas depois no Hospital Regional. Conforme informações prévias, mais uma vez como tudo indica, foram pessoas de fora que cometeram essa barbaridade e fugiram em um carro branco com placa de outro Estado.
Será que estão escolhendo Coxim por ser uma cidade pacata? A Polícia Militar através de sua assessoria nos relatou que a cidade tem uma situação diferenciada que facilita a ação criminosa como o fato de ter várias fronteiras para fuga como o Estado de Mato Grosso, Goiás, o próprio rio que leva à Corumbá/ Bolívia e o Pantanal. Em fim, a polícia diz que está fazendo seu trabalho para prevenir a violência, mas que a população deve ter cuidado e deve estar atenta aos indícios de um possível crime. É importante segundo a assessoria, observar se há pessoas estranhas em volta da casa, na porta das instituições financeiras, carros com placas de fora e indivíduos suspeitos.
A delegada Silvia trabalha com a hipótese do latrocínio pelo fato dos homens terem realizado a ação sem capuz ou qualquer instrumento que preservasse suas identidades e por se tratar mais uma vez de autores “importados”, há maiores dificuldades na investigação a serem enfrentadas como dados do sistema, falta de informações de familiares e conhecidos entre outros obstáculos. “Nossos investigadores estão preparados e com a ajuda de toda a polícia, vamos até o fim”, declarou.
Pelo fato do comerciante ser uma pessoa querida na sociedade, muitos policiais de folga e de férias, estão usando carro próprio para ajudar nas investigações e realizar diligencias na cidade em busca de novidades sobre o caso.
Depoimentos
Pedro da Silva, empresário de Coxim que estava no momento dos disparos disse que até agora a sua ficha não caiu, que o que aconteceu foi inacreditável. Orientado pela polícia não deu maiores informações, somente afirmou que tudo aconteceu tão rápido que está abalado com a violência que presenciou.
O médico Wesley Mendes Rodrigues que era muito amigo da vítima disse que nada justifica tanta violência. “Desde que chegou à cidade em 2006 fiz amizade com Parreiras. Trabalhávamos no quartel e criamos uma grande amizade. Ele era um rapaz alegre, muito humilde, sempre com um sorriso no rosto. Ele era especial, perdemos uma parte alegre de Coxim, um amigo, um companheiro. Estou muito indignado, não podemos ter segurança em nossa casa. De repente chega alguém e interrompe a história de uma vida. Espero que possa ser feita justiça. Coxim não é mais uma cidade tranqüila, devemos estar atentos”.
Muito emocionado, Rogério Bandeira Duarte que é um militar da reserva que serviu com Parreiras e teve a oportunidade de participar da sua formação no 47°BI, clamou por justiça em seu velório. “Não podemos deixar isso passar impune, que a justiça seja feita e venha o mais rápido possível. Precisamos disso para nos sentirmos mais confortável. Parreira era um homem dócil, muito amigo. Nada justifica isso”, desabafou.
O Caso - O comerciante Leandro Parreiras de Souza, de 30 anos, morreu no Hospital Regional de Coxim, na terça-feira (21) após ser atingido por um tiro na cabeça, durante um roubo em sua residência, localizada na rua Nova Canaã, no bairro Jardim Vista Alegre, em Coxim.
Parreiras estava na companhia da esposa Rafaela, dois casais de amigos, um adolescente de 16 anos e um menino de 08 anos, quando três indivíduos armados entraram na residência pelo portão da frente que estava aberto e anunciaram o assalto.
O trio chegou pedindo dinheiro e jóias e realizando muitas ameaças. Porém quando já estavam de saída, Parreiras reagiu jogando uma cadeira de plástico no chão. Neste momento um dos autores que estava armado atirou três vezes, sendo que um dos disparos acertou a cabeça da vítima que chegou a ser socorrido pelo Corpo de Bombeiros e encaminhado para o Hospital Regional Dr. Álvaro Fontoura Silva, mas não resistiu aos ferimentos e morreu na cidade.
Após os disparos, os autores fugiram em um carro Gol de cor branca. Leandro possuía uma banca na Feira do Produtor de Coxim e era muito querido na cidade. Amigos, companheiros de trabalho, militares da ativa e da reserva do 47° BI que serviram junto à vitima no quartel, assim como familiares choraram a morte de Parreiras que foi velado ontem de tarde na Pax e Funenária Coxim.
Devido à grande quantidade de pessoas, a rua lateral da Pax foi interditada e o local necessitou de uma tenda para abrigar as pessoas, assim como cadeiras para assentar idosos e crianças. Comerciantes da Feira do Produtor fecharam as portas em respeito ao amigo. Até o fechamento desta edição não haviam maiores informações sobre os autores.
