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Papa anuncia volta à América Latina

20 JAN 2015 • POR Terra • 08h26

O Papa Francisco anunciou, que visitará Bolívia, Paraguai e Equador em 2015, confirmando o desejo de querer ir aos países da "periferia" do mundo, além de pedir prudência com sátiras como as do jornal francês Charlie Hebdo e convidar os católicos a exercerem a "paternidade responsável".

Em declarações a jornalistas que o acompanhavam no voo de volta do Sri Lanka e das Filipinas, o Papa falou de seus projetos de viagem, tanto para 2015 como para 2016, e comentou sobre anticonceptivos e a "paternidade responsável", após convidar os católicos a evitar reproduzirem-se "como coelhos".

"Tenho o plano de visitar Bolívia, Paraguai e Equador este ano", confirmou o Papa argentino, sem divulgar as datas de sua segunda viagem à América Latina, depois da feita ao Brasil, na Jornada Mundial da Juventude, pouco meses após ser eleito sumo pontífice, em março de 2013.

"Em 2016 tenho o plano, mas não é nada certo, de visitar Chile, Argentina e Uruguai", acrescentou o Papa aos 70 jornalistas que o acompanharam em seu giro de seis dias a Sri Lanka e Filipinas, onde celebrou, no domingo, a missa com maior número de fiéis da história recente da Igreja.

O Papa não excluiu visitar um país como o Peru na ocasião.

Durante a conversa com a imprensa, Francisco contou que este ano tem previsto viajar também aos Estados Unidos e que gostaria de ir ao México.

"Entrar nos Estados Unidos pela fronteira do México seria uma coisa linda, como sinal de irmandade, mas ir ao México sem visitar a Virgem (de Guadalupe) seria um drama... Penso que vou apenas a três cidades americanas", disse, após mencionar Filadélfia, para o encontro com as Famílias, Nova York, para a visita à ONU, e Washington.

"Gostaria de ir à Califórnia para a canonização de Junípero Serra, mas acho que vai ser um problema de tempo, seriam necessários mais dois dias. Eu acho que vou fazer a canonização em Washington: é uma personalidade nacional", explicou.

O papa revelou, ainda, que está organizando sua primeira viagem à África, "no fim do ano", para visitar a República Centro-africana e Uganda.

"Esta viagem está atrasada pelo problema do Ebola. É uma grande responsabilidade organizar grandes reuniões pelo risco de contágio. Mas nestes dois países, não há problema", admitiu.

Com estas viagens, Francisco, que completou 78 anos em dezembro, quer manifestar com gestos concretos sua aproximação e solidariedade com os países menores, que sofreram com a pobreza, o isolamento e a falta de atenção.

Abordando um tema polêmico, Francisco declarou, ainda, manter a porta aberta a um encontro com o Dalai Lama, desmentindo que tenha se recusado a receber o líder espiritual dos tibetanos em dezembro "por temor da China".

"Os hábitos no protocolo da Secretaria de Estado são de não receber os chefes de Estado e as personalidades de alto nível quando estão em Roma para uma reunião internacional", disse aos jornalistas no avião papal.

O Dalai Lama esteve em Roma em dezembro para uma conferência de ganhadores do prêmio Nobel da Paz.

"Quando houve a reunião da FAO (organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação, celebrada em Roma, em novembro), não recebi ninguém", acrescentou.

"Alguns jornais disseram que eu não o recebi por medo da China. Isto não é verdade. Em algum momento ele pediu uma audiência, que foi agendada para uma data (posterior). Mas não por enquanto. Ainda mantemos relações", assegurou.