“Não cuidaram nem depois da morte”, diz tia de bebê achado com formigas
10 MAR 2020 • POR Campo Grande News • 09h38“Foi completamente desumano, desrespeitoso, horrível. As pessoas não têm mais amor de verdade, não se sensibiliza pela dor do outro. Não cuidaram do meu sobrinho nem depois da morte”. O relato da garçonete Danieli Valmaceda, 32 anos, ao site Campo Grande News ontem (dia 9), é marcado pela dor de quem viu uma cena que não consegue despregar da memória: um bebê morto em meio a lençóis sujos e formigas na maternidade de Corumbá.
O menino Killian Lima de Carvalho nasceu em 4 de março, com sinais de icterícia, doença que deixa criança com pele amarelada e, em casos de complicações, pode levar à morte. Danieli conta que uma enfermeira logo comentou que o bebê era forte candidato para ir para a luz, uma forma corriqueira de se referir ao procedimento de fototerapia. O parto foi cesárea, aos nove meses de gestação e sem problemas no pré-natal.
A tia afirma que o pediatra que acompanhou o parto viu a criança apenas duas vezes: no nascimento e dois dias depois do parto. Entre os dias 4 e 6, a situação da criança chamou a atenção de outros profissionais, como ginecologista, psicóloga e de outro pediatra.
“No dia seguinte a do nascimento, estava bem mais amarelo. Apareceu o médico ginecologista. Ele disse que a minha irmã estava bem, mas perguntou se ela estava criando um canarinho e que era para chamar o pediatra”, conta a tia.
Na sexta-feira, dia 6, o bebê, conforme a família, prosseguia sem o banho de luz. “Quando cheguei lá. Ele estava alaranjado, com os olhos meio verdes. Tomei o maior susto, saí com ele para o corredor, ia levar para tomar sol. No corredor, encontrei outro pediatra, que correu com ele para a pediatria”, relata. Neste momento, o médico também pediu para chamar o pediatra que acompanhou o parto.
No entanto, mesmo na fototerapia, a criança não apresentou melhoras, com dificuldade para mamar e gemidos. Danieli conta que diante de seus comentários, a enfermeira colocou o termômetro e constatou que a criança tinha febre. Depois, o quadro piorou e, no sábado de manhã (dia 7), a família foi avisada pelo hospital de que o bebê morreu na madrugada, vítima de parada cardiorrespiratória. A família aguarda resultado de exames realizados durante a internação.
