Suspeitos de ataque a Charlie Hebdo teriam declarado desejar morrer como mártires
9 JAN 2015 • POR O Globo • 12h20Os dois suspeitos do atentado contra o jornal "Charlie Hebdo", os irmãos Chérif e Said Kouachi, estariam cercados pela polícia em uma empresa da área industrial de Dammartin-en-Goêle, em Seine-et-Marne, no Norte da França. Os supostos agressores fizeram pelo menos um refém na Gráfica Création Tendance Decouverte, de apenas cinco funcionários, um dos cenários temidos pelas autoridades. Foram ouvidos tiros no local. Segundo Yves Albarello, deputado de Dammartin-en-Goêle, nas primeiras negociações com a polícia os suspeitos teriam declarado desejar "morrer como mártires".
A zona foi totalmente bloqueada e esvaziada por milhares de policiais, com helicópteros sobrevoando a área. O tráfego aéreo do aeroporto Roissy-Charles-de-Gaulle, situado nas proximidades, foi alterado: os pilotos encaminham sua rota de aterrissagem pelo sul.
A informação de que haveria um morto e feridos foi desmentida pelas autoridades. Ainda não se sabe a identidade do refém. Há relatos de que poderia ser um homem de 28 anos, que deveria estar na gráfica no momento do ataque, e sua família não consegue contatá-lo.
O centro hospitalar de Seine-et-Marne foi colocado em estado de alerta para eventualmente receber feridos. O general Dennis Favier, diretor-geral da Polícia Nacional que havia liderado o assalto ao Airbus sequestrado por islamistas argelinos em 1994, comanda as operações em Dammartin-en-Goêle.
O ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, solicitou a colaboração de todos no entorno para que a operação de resgate do refém e de prisão dos fugitivos possa se desenvolver da melhor forma possível, e pediu que todos permaneçam em suas casas e fechem suas janelas.
Alunos em três escolas primárias em Dammartin-en-Goêle foram orientados a ficarem dentro de suas salas de aula, de acordo com a imprensa francesa. Em uma das instituições, estudantes exibem nas janelas folhas de papal com a inscrição "Je suis Charlie" (Eu sou Charlie).
Mais cedo, os suspeitos interceptaram o motorista de uma Peugeot 206 cinza para roubar o veículo. Reconhecidos pelo condutor, a polícia foi avisada. Na perseguição, os dois irmãos Kouachi, fortemente armados, se refugiaram na empresa.
