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Morte de médico que fez alerta sobre o coronavírus gera revolta na China

7 FEV 2020 • POR G1 • 08h55
  Reprodução

A morte do médico Li Wenliang – apontado como um dos primeiros a identificar a existência do surto do novo coronavírus, alertar as autoridades, e ser convocado pela polícia pela atitude – provocou uma onda de revolta na população, informou a agência France Presse.

A reação negativa após a morte do médico levou as autoridades do país a anunciarem a abertura de uma investigação. A prefeitura de Wuhan deu pêsames à família.

A epidemia já matou 637 pessoas na China e 1 nas Filipinas. Mais de 31 mil pessoas estão infectadas com o vírus 2019-nCoV.

O doutor Li, de 34 anos, morreu no hospital central de Wuahn, cidade de 11 milhões de habitantes que está isolada do mundo desde 23 de janeiro. O oftalmologista contraiu a doença quando tratava um paciente.

Doença subestimada

O governo da China vem sendo acusado de subestimar a gravidade do vírus no início da proliferação da doença e de tentar mantê-lo em segredo. A morte de Wenliang ilustra a situação caótica dos hospitais de Wuhan, muito saturados.

Um alto funcionário do governo provincial admitiu na quinta-feira que os profissionais da área da saúde não contam com equipamento de proteção contra o vírus.

No início de fevereiro, o governo chinês admitiu falha na resposta à epidemia do novo coronavírus.

A morte de Wenliang trouxe ainda mais a sensação de descaso das autoridades com a população.

As redes sociais foram tomadas por hashtags contra o governo, mas elas logo foram censuradas.

Regime chinês abalado

A morte do médico parece ter provocado estupor no regime.

O presidente Xi Jinping assegurou a Donald Trump que o país é "completamente capaz" de derrotar o coronavírus.

Também pediu ao governo dos Estados Unidos uma reação "de forma razoável" à crise. Washington proíbe a entrada em seu território dos estrangeiros que passam pelo território chinês. No início da semana, a China acusou o país de "propagar o pânico".

Xi afirmou que a China está travando "uma guerra popular" contra a epidemia, com "mobilização nacional e medidas de prevenção e controle muito estritas", informou o canal CCTV.

Donald Trump "expressou sua confiança na força e resistência da China para enfrentar o desafio do novo surto de coronavírus" e os dois presidentes "concordaram em continuar a ampla comunicação e cooperação", indicou a Casa Branca.

Médico convocado pela polícia

Li Wenliang é apontado como um dos primeiros a identificar a existência do surto do novo coronavírus e alertar as autoridades. Ele foi um dos oito médicos que a polícia chinesa investigou sob acusação de "espalhar boatos" relacionados ao surto. O oftalmologista contraiu a doença quando tratava um paciente. Ele era casado e tinha uma filha de cinco anos.

Agora, ele é considerado um herói nacional, ainda mais em comparação com os funcionários do governo local acusado de ocultar o surgimento da epidemia."Que todos os funcionários que enriquecem com dinheiro público morram debaixo da neve", afirmou um internauta, em um comentário apagado imediatamente pelos censores.