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Pais acreditam que violência educa, conclui Conselheira

16 JUL 2014 • POR • 14h22

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) comemorou no início dessa semana (13) 24 anos desde a sua instituição, mas ainda encontra muitas barreiras entre as famílias. A coordenadora do Conselho Tutelar de Coxim, Rosângela da Silva Zanchett Mendonça afirma que o estatuto é pouco conhecido pelas famílias e que isso facilita a violação dos direitos das crianças e dos adolescentes.
O Estatuto é que regulamenta as atribuições do Conselho Tutelar que segundo a coordenadora atualmente não é visto como um órgão de proteção e sim como um repressor. “As famílias entendem que estamos tirando o poder de educar quando chegamos para averiguar as denúncias”, reclama a coordenadora que conta com o reforço dos conselheiros Rita Maria Arruda, Sergiomar Gomes Inácio, Leyla de Souza Vicente e Roseli Vendruscolo para executar as atividades.
O Conselho Tutelar trabalha sempre através de denuncias e conforme Rosangela, na sua maioria são procedentes, pois sempre encontramos alguma violação de direitos. 

Para Rosangela os pais não entendem que bater não educa, pois tiveram essa educação e justificam estarem fazendo a coisa certa. Nosso papel é orientá-los e quando necessários encaminhamos para o Centro de Referencia de Assistência Social (CRAS) para participar do programa de fortalecimento de vínculo familiar. “Muitos me dizem apanhava tanto do pai e da mãe e assim aprenderam a respeitá-los. Só que as conseqüências são extremas e refletem na escola, na sociedade. Eu acompanho casos assim diariamente e concluo que muitos pais não respeitam seus filhos e na hora que eles reagem, elas perdem o controle. As famílias precisam dar limites apenas”, destacou.

Para a coordenadora o fator externo que mais influencia negativamente na vida das famílias é a dupla globalização e economia. Para ela, com a tecnologia, com a cruzada de informações e com a velocidade do mundo hoje, as famílias não conseguem acompanhar tudo isso, principalmente pelo fator econômico que mais impede esse ritmo frenético onde tudo é praticamente descartável.
Mas a coordenadora pondera e diz que o fator econômico que é um motivo forte dentre as famílias de baixa renda não significa que apenas a classe baixa é que tem esse tipo de problemas, e que várias vezes já atendeu famílias de classe alta. 

 

Caso Chocante – Com um ano e meio de serviço, a Conselheira lamenta ao contar um caso que marcou seus poucos anos de trabalho. Uma criança de três anos que estava sendo abusada pelo padrasto com freqüência tirou as noites de sono da coordenadora que conseguiu ver um final feliz quando a criança se recuperou fisicamente e o agressor foi preso.

 

A coordenadora informou que as denuncias são de extrema importância para o trabalho do Conselho Tutelar e reforçou que o trabalho nesse órgão acontece no período de 24hs. “Queríamos ser melhores vistos pela sociedade e pelos poderes. Trabalhamos em silêncio, mas estamos aqui, plantão atrás de plantão para atender a população”, finaliza.