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Concluído, cascalhamento da MS-228 é a certeza de um novo tempo para a pecuária do Pantanal

6 DEZ 2019 • POR Subcom • 12h12
  Assessoria

 O último sábado de novembro foi marcante na vida dos operários da empreiteira que executou o cascalhamento de 40 km da MS-228, uma benfeitoria sonhada há décadas pelos pantaneiros da Nhecolândia, maior criatório de bovinos do Estado. Eles concluíram o último trecho – 240 metros – de uma obra, iniciada em março deste ano, que eliminou o areião e os alagados e integra importante região de pecuária e turismo do Pantanal.
“Foi uma jornada difícil, muito calor e mosquito, chegar ao final de uma estrada que deve significar muito para os fazendeiros. Eles passavam pelo trecho e elogiavam o nosso trabalho”, diz Ademar Oliveira, 52, enquanto espalha o resíduo de minério de ferro usado na obra com a motoniveladora. “Só saio triste daqui porque não consegui ver uma onça-pintada, mas vencemos esse areião com força”, afirma Juliano Chimenez, 23, operador de rolo compressor. 
Concluído dentro do prazo, o cascalhamento dos 40 km da MS-228 teve investimentos de R$ 8,5 milhões pelo Governo do Estado, sem contar os recursos aplicados pela Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos) na reforma das pontes de madeira. Foi implantado um aterro de 1,5 metro de altura, revestido com uma base de resíduos de minério transportados por até 90 km de uma jazida no distrito de Albuquerque, totalizando 250 mil toneladas de material.
De carreta para o leilão: logística
O cascalhamento de 40 km da MS-228 pode significar pouco expressivo numa imensidão que é a planície pantaneira, porém tem um valor imensurável para quem produz na região e tinha dificuldades de acesso. Com uma fazenda localizada ao final desse primeiro trecho implantado pelo Governo do Estado, a centenária Alegria, o pecuarista Heitor Miraglia Herrera, 58, se emociona ao falar da chegada de uma logística cantada em verso e prosa. 
 

Rota Pantaneira: Fim do isolamento
Um dos principais trechos do tronco rodoviário do Pantanal projetado desde os anos de 1970 é a ligação da MS-228, a partir da Curva do Leque (entroncamento com a MS-184), com o centro da Nhecolândia. A estrada integra Corumbá com Rio Negro (232 km) e a Rio Verde (56 km do trevo da MS-427 com a MS-228), cortando a planície. Os 40 km com implantação de aterro e cascalhamento compreende o trecho Curva do Leque-Fazenda Alegria.
O governador Reinaldo Azambuja projeta a implantação de um eixo rodoviário que integrará os extremos do Pantanal com a rota turística Miranda-Bonito-Corumbá-Porto Murtinho. Seu governo já executou a implantação de 18,8 km da MS-228, entre a Vazante do Castelo e a Fazenda Imaculada (entroncamento com a MS-427), entre Aquidauana e Corumbá, e 34 km da MS-423, da Serra da Alegria (Rio Verde) a Fazenda Morrinho (Corumbá). 
Outra frente de obra executa o mesmo serviço em 65 km das MS-228 e MS-423, entre as fazendas Picapau e Conceição, em Corumbá. Os investimentos na Rota Pantaneira ultrapassam R$ 40 milhões e está projetada também a implantação da MS-214, interligando os pantanais do Paiaguás e Nhecolândia, a partir de Coxim, até

a ponte de concreto sobre o rio Taquari. Numa segunda etapa, será implantada a estrada que liga a região ao Porto Jofre (Poconé, MT).

Ligação Alegria-Conceição: 

Redençãoos operários trabalhavam na compactação do cascalho nos últimos metros da obra contratada na MS-228, era intenso o movimento de caminhões com gado em direção ao Leilão Novo Horizonte, o maior do Pantanal, situado próximo à estrada. As caminhonetes cruzavam o trecho a 100 km/h, quando, até recentemente, não avançavam além de 10 km/h. A melhoria dos acessos críticos já mudou a pecuária: o Pantanal passa a engordar e não apenas criar gado. 

Nova estrada: um divisor de águas
O último leilão do ano realizado no Novo Horizonte, no sábado (30/11), refletiu o atual momento de otimismo que predomina na pecuária pantaneira com a melhoria da logística. Mais de seis mil animais da região foram comercializados, a maioria chegando ao leilão em caminhões. “Vejo esse aterro e o cascalho na 228 como um divisor de águas”, aponta o gerente da centenária Fazenda Lurdes (70 mil hectares, 20 mil cabeças de gado), Nicola Silva, 38. 
Os pantaneiros já contabilizam economia de frete em 25% com os investimentos do Estado. A chegada do boi aos leiloes ou frigoríficos em caminhões também agregou valor de carcaça e, com isso, todo o mercado se beneficia. “Há um aumento de consumo, com tendência de crescer, justamente pelo fácil acesso, barateando o frete. Tudo melhorou aqui”, analisa José Antônio Oliveira (Zé Pepe), 65, com comércio de insumos na beira da estrada.