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Após vexame, Felipão não é mais o técnico da seleção Brasileira

15 JUL 2014 • POR Carlos Pires • 13h37

Após a humilhação diante da Alemanha e a derrota para a Holanda por 3 x 0 no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, Luiz Felipe Scolari entregou o cargo para a Confederação Brasileira de Futebol (CBF). A CBF aceitou o pedido de Felipão e confirmou a demissão de Scolari, Carlos Alberto Parreira e de toda a comissão técnica que trabalhou na Copa do Mundo. 
Assim, o Brasil parte em busca de um novo técnico para assumir o projeto que terá como ponto alto a Copa do Mundo de 2018, na Rússia, passando pela Copa América do Chile, em 2015, e das Eliminatórias Sul-Americanas para o Mundial, que o país volta a disputar após ser sede do evento.
Técnico gringo
Não é a primeira opção e nem prioridade, mas a cúpula da CBF admite avaliar a ideia de contratar um técnico estrangeiro para dirigir a seleção brasileira. A mudança de postura se dá muito mais por pressão popular e da imprensa do que por convicção de quem toma as decisões na confederação.
Depois de ver a seleção brasileira tomar 10 gols em dois jogos e concluir de maneira humilhante a Copa do Mundo em casa, a CBF decidiu “dissolver” a comissão técnica de Luiz Felipe Scolari - o mesmo termo “dissolver” foi usado quando a entidade anunciou a demissão de Mano Menezes, em novembro de 2012.
Na época, José Maria Marin e Marco Polo Del Nero repeliram a ideia de chamar um treinador estrangeiro - houve quem pedisse a contratação de Pep Guardiola. Os cartolas argumentaram então que o Brasil ganhou seus cinco títulos com brasileiros no banco de reservas e que não havia nada que um gringo pudesse ensinar aos pentacampeões.

 

Lições da Copa

Mentalidade forte, capacidade de absorver um duro golpe e usar os erros para uma futura virada. Aceitar as deficiências com humildade, analisar as virtudes dos rivais e usá-las, sem perder sua essência. Isso é o que o Brasil pode aprender com a Copa de 2014 para projetar algo positivo para 2018.
Humildade para aprender
A primeira recomendação é a de querer mudar e achar que tem que aprender com o que estava errado e pode ser melhorado, como fez a Alemanha. O Brasil não pode achar que os 7 a 1 foi por acaso e apenas uma pane de poucos minutos. Os erros começaram bem antes.
Jogo coletivo
A Alemanha sempre teve um jogo coletivo. Admirava a habilidade e a capacidade de improvisação do jogador brasileiro para decidir um jogo e tentou formar atletas que arriscassem mais no drible e nas jogadas. Mas nem por isso abandonaram o que já faziam bem. Isto lhe rendeu seus títulos. Uma equipe de verdade não joga em função de um único atleta. 
Respeito ao adversário   
Chamou a atenção de todos que durante a humilhante goleada, que nenhum jogador alemão esboçou alguma atitude de desrespeito ou menosprezo ao adversário. Firulas, dribles e provocações são bem mais comuns no Brasil quando uma equipe vence um time por larga diferença de gols. Os alemães entendem que o respeito ao adversário é algo que precisa ser cultivado desde já na cabeça do brasileiro.
Aceitar a derrota
A Alemanha organizou o Mundial de 2006 em casa e não ganhou. Estava do início para o meio do processo de reestruturação. A derrota em casa para a Itália na semifinal não foi vista como fracasso. Aquela Copa é conhecida por lá como “sonho de verão” por ter resgatado o orgulho alemão por sua seleção e pelo país. A boa organização fez os alemães entenderam que dali o time colheria frutos no futuro e que mostraram uma boa imagem ao mundo com a Copa, mesmo não ganhando. Plantaram e colheram. Foram os legítimos campeões de 2014.
Organização e reestruturação
O jeito organizado do alemão pode ser usado pelo Brasil como espelho para que tanto fora de campo como em equipe dentro das quatro linhas não haja bagunça. Os alemães hoje contam até com serviços de tecnologia que ajudam a seleção, como tecnologia SAP para analisar os rivais e ter em mãos estatísticas e dados completos sobre seus jogadores e seus concorrentes. Coisa que o Brasil nunca teve. Que os erros de 2014 sirvam de lição para 2018. (Carlos Pires)