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Empresas investigadas pela operação da PF deflagrada ontem, em MS, faziam rodízio

9 MAI 2019 • POR G1 MS • 09h20
  Ósvaldo Nóbrega

Assim que começamos a apurar as licitações, em que a secretaria estadual de Educação pedia a comprovação de verbas federais nestes contratos, por conta de convênios com o MEC [Ministério da Educação], a fiscalização já apontou um possível conluio destes empresários”, afirmou o delegado da PF, Leonardo Caetano.
Conforme a polícia, servidores da secretaria e empresários fraudavam as licitações, inclusive fazendo cláusulas restritivas para privilegiar o cartel de empresas. Até o momento, o prejuízo apurado em 8 escolas da capital, além de Maracaju e Jardim, é de cerca de R$ 10 milhões.
“A diferença de desconto entre as empresas ficava entre 1% a 2% no máximo. Desta forma, eles não competiam com uma a outra, eram previamente escolhidas. Além disso, faziam exigências de garantia antes da entrega da proposta, além de entrega e autenticação de documentos 48 horas somente de forma presencial, dificultando a possibilidade de participação de empresas de fora”, explicou o superintendente da Controladoria Geral da União (CGU), Daniel Silveira.
Sem qualidade técnica
No caso de uma das empresas, a PF explica que ele foi aberta somente 6 dias antes do certame público. “O edital também não exigia qualidade técnica e isso dava um direcionamento para determinada empresa, tanto que esta venceu uma das licitações e ainda tinha vínculos com outras empresas vencedoras anteriormente”, ressaltou Caetano.
 O delegado da Delegacia Regional de Combate ao Crime Organizado (DRCOR), Fabrício Martins Rocha, ressaltou que ao menos cinco servidores da secretaria de educação estão envolvidos na organização criminosa.
“Temos sim pessoas do 1º escalão, o que inclui um diretor, além de cerca de 11 empresários e cerca de 13 pessoas físicas. Desde 2017, constatamos a organização criminosa com escutas telefônicas e quebra de sigilo bancário. Em um dos flagrantes, constatamos o momento em que um servidor recebia um mensalinho de R$ 6 mil. Para os outros investigados, o valor pode ser ainda maior”, finalizou.