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Governo quer diminuir fatia do BB na área de crédito rural

26 MAR 2019 • POR Sistema Ocepar • 10h14
  Divulgação/Ilustrativa

Sob orientação do ideário liberal do ministro Paulo Guedes, o governo quer reduzir o papel do Banco do Brasil no crédito agrícola, dando mais espaço para bancos privados. A instituição pública reina como líder histórica nesse segmento, mantendo uma participação de 58% a 60% em média nas últimas seis safras. O BB já se prepara para essa nova fase. O banco admite que deve perder participação de mercado. Isso já ocorre no segmento subsidiado, mas a orientação do governo indica que a redução deve se estender ao mercado de taxas livres, embora deixe claro que a perda de participação não significa que a instituição abandonará a disputa pelos clientes do setor rural.
"Queremos fazer com o BB o que estamos fazendo com o BNDES ", disse ao Valor o secretário especial de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues, referindo -se à missão dada pelo governo para o BNDES reduzir seu tamanho, abrindo mais espaço para atuação de instituições financeiras privadas e para o mercado de capitais. "A gente precisa de maneira célere priorizar o aumento do crédito privado", defendeu Rodrigues. "Ele [BB] é um grande agente no financiamento agrícola, área que precisa ser retrabalhada. Esse é um tema que vamos tratar e com certa brevidade", acrescentou. Trata-se claramente de uma mudança de visão em relação ao papel do sistema bancário no crédito agrícola. E pode ser lido como o início de um processo de desmonte do BB na área rural, ainda que esse não seja um movimento brusco e imediato, para que as instituições privadas.   
 "A competição é sempre bem-vinda. Mais volume de crédito é o que mais deseja a Agricultura. E a concorrência sentirá nossa força no empenho em bem atender ao setor", completou. A participação do BB no mercado de crédito agrícola já chegou a 61% num passado recente. Hoje, segundo o BC, a instituição detém 57,4% de participação, considerando o saldo de sua carteira de agronegócio acumulada nos últimos 12 meses encerrados em dezembro de 2018, que é de R$ 188,7 bilhões. Os principais bancos privados (Bradesco, Santander, Itaú e Rabobank), os dois bancos cooperativos (Sicoob e Sicredi) e os demais públicos (Caixa e Banco do Nordeste), juntos, têm 40%.