Logo Diário do Estado

Com falência, bens da Bigolin vão a leilão e dívida pode somar 100 milhões

21 MAR 2019 • POR Campo Grande News • 08h10
Bigolin teve lojas lacradas por ordem da Justiça na última quinta-feira.   Henrique Kawaminami

Com a decretação da falência de cinco empresas do Grupo Bigolin, a administradora judicial Pradebon e Cury faz um levantamento de bens, que vão de lata de tinta a imóveis, para leilão. Até o ano passado, a dívida chegava a R$ 88 milhões e cerca de 750 credores. A projeção é que o valor alcance R$ 100 milhões. “Vamos arrecadar todos os ativos e fazer lotes para venda em leilão. Com o que arrecadar, vai pagando os credores. Iniciando pela classe trabalhista, garantia real, tributário, micro e pequenas empresas, demais quirográficos e por último fica o pagamento dos sócios se tiver feito empréstimo [para a empresa]”, afirma o advogado e administrador judicial José Eduardo Chemin Cury.
No quesito ativos, entram produtos do estoque, computador, cadeira, mesa, ar-condicionado, caminhão, empilhadeiras, imóveis. Na ordem de pagamento, os primeiros a receber são os trabalhadores; na sequência vem a garantia real, que, em geral, corresponde aos bancos. Depois, vêm as dívidas com a município, governo e União. Já os quirografários formam a categoria de credores de uma empresa falida que não possui qualquer tipo de garantia para receber seus créditos.
A Bigolin tem prazo de cinco dias para apresentar o novo rol de credores. No ano de 2016, ao pedir a recuperação à Vara de Falências e Recuperações Judiciais de Campo Grande a empresa informou dívida de R$ 54 milhões. 
Em meados de 2018, o montante já tinha crescido para R$ 88 milhões. A projeção do administrador judicial de que o total alcance R$ 100 milhões considera custos com verbas rescisórias de funcionários, que também não receberam parte do 13º salário nem o pagamento do mês de fevereiro, e o aumento da comunidade de credores com a decretação de falência.
Até 2020, o grupo tem R$ 400 mil a receber, mas o pagamento deve se tornar incerto pela não entrega de mercadorias ou até por espertalhões que prefiram não honrar dívida com empresa falida.
Suspensão – A defesa do Grupo Bigolin, que atuou por mais de 30 anos no Estado, entrou com recurso na última quinta-feira para suspender a decisão do juiz e solicitar a concessão da recuperação judicial.
O recurso tramita na 2ª Câmara Cível do TJ/MS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) e ainda não teve decisão. A defesa sustenta que não cabe ao juiz a análise de viabilidade financeira e traz dados sobre a retirada de valores dos sócios.