Reportagem produzida em MS foi destaque no Fantástico e poderá virar Lei Federal
12 MAR 2019 • POR Redação • 09h15O Fantástico deste domingo levou ao ar uma reportagem produzida pelo jornalista Cesar Rodrigues e publicada pelo site chapadensennews.com.br sobre o drama da radialista Verlinda Robles que vem sendo perseguida por um fã incluindo a invasão de privacidade com violação de dados pessoais. Jornalistas da TV Morena de Campo Grande valorizaram a postagem e produziram entrevistas com a radialista e repassaram para a direção da Rede Globo que contextualizou o assunto com outras personagens no Brasil. O deputado Fábio Trad também dará destaque ao material transformando o temo em projeto de Lei Federal para proteger outros profissionais expostos a estes perigos que as vezes podem ser fatais.
Imagine viver o tempo todo sabendo que tem alguém observando e perseguindo você: "Eu tenho medo, apareceu um medo, e eu me tornei uma pessoa fechada", diz uma vítima. "Você começa a receber mensagens e mais mensagens de um desconhecido, com ameaças", diz outra. "Foi ficando mais agressivo o tom: 'Se você não comparecer, você vai pagar caro. se eu fosse você, eu não pagava pra ver o que vai te acontecer, e do nada ele aparece na sua frente. Quando a pessoa chegou, eu fiquei assustadíssima e disse: 'Eu quero que você vá embora, você está me incomodando'", relata a terceira radialista.
PERSEGUIÇÃO - Essas mulheres são vítimas de uma violência que, ao contrário de outros países, ainda não é considerada crime no Brasil: O "Stalking", em português, "perseguição". Segundo estatísticas do país que mais estuda o assunto no mundo, os Estados Unidos, 15% das mulheres e 6% dos homens vão ser vítimas de um stalker, um perseguidor, em algum momento da vida.
25 LIGAÇÕES AO DIA - O drama da radialista Verlinda começou em 2016, quando ela morava em Costa rica, cidade do interior de Mato Grosso do Sul. No começo, ele era apenas mais um fã que ligava pedindo e oferecendo músicas para a própria locutora. Ela começou a perceber que o comportamento era estranho quando ele passou a ligar para ela mais de 25 vezes por dia.
MUDOU DE CIDADE PARA FUGIR - Verlinda Robles, radialista que chegou a mudar de cidade para fugir de seu perseguidor. Ela pediu medida cautelar. Ela conta que era um homem conhecido na cidade, que tem cerca de 20 mil habitantes. "Eu sabia quem era, mas nunca tinha conversado com ele", relata. O homem é Juarez Cardoso dos Santos, que em 2008 chegou a ser candidato a vereador. "Ligava uma, ligava duas, ligava em todos os programas pedindo música e pedindo para falar comigo também", conta. Quando ela atendia, ele se declarava:
"DEUS QUER ESTA UNIÃO" - "'Deus que quer essa união, é Deus; você não gosta de mim, mas você ainda vai gostar', dessa maneira ele colocava", relata. A radialista respondia: "Eu dizia que não adiantava, que eu não gostava dele, que se a gente conversasse era só uma amizade, não passava daquilo ali, como ouvinte. Ele chegou a ligar no meu celular, registrado, 25 vezes em um dia". Perguntamos como ele tinha o celular de Verlinda, e ela responde: "Eu também queria saber".
CERCO OBSESSIVO - Verlinda diz que ele conseguiu muito mais: "Todos os celulares das pessoas, os meus amigos, inclusive os meus amigos particulares da rua, ele ligava e queria saber de mim! Queria saber onde eu estava, queria saber de mim, se eu tinha namorado, essas coisas", declara. No Brasil, não existem estatísticas sobre stalking. Nos Estados Unidos, pesquisas mostram que uma em cada sete vítimas de stalkers acaba mudando de endereço para tentar se proteger. Foi o que Verlinda fez: "O medo fez eu mudar de cidade, fez eu vir para um lugar onde eu não conheço ninguém".
