Dia Internacional da Mulher
Mulheres do MS lideram denúncias de violência doméstica no Brasil, destaca delegada de Coxim
8 MAR 2019 • POR Cesar Rodrigues • 09h02Hoje se comemora o Dia Internacional da Mulher. No ano de 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o "Dia Internacional da Mulher", em homenagem ao movimento pelos direitos das mulheres e como forma de obter apoio internacional para luta em favor do direito de voto para as mulheres (sufrágio universal). Mas somente no ano de 1975, durante o Ano Internacional da Mulher, que a ONU (Organização das Nações Unidas) passou a celebrar o Dia Internacional da Mulher em 8 de março.
Objetivo da Data
Ao ser criada esta data, não se pretendia apenas comemorar. Na maioria dos países, realizam-se conferências, debates e reuniões cujo objetivo é discutir o papel da mulher na sociedade atual. O esforço é para tentar diminuir e, quem sabe um dia terminar, com o preconceito e a desvalorização da mulher. Mesmo com todos os avanços, elas ainda sofrem, em muitos locais, com salários baixos, jornada excessiva de trabalho e desvantagens na carreira profissional. Muito foi conquistado, mas muito ainda há para ser modificado nesta história. O mais preocupante é a violência Doméstica que tem crescido em todo o País e Mato Grosso do Sul as Mulheres lideram denúncias de violência.
A manutenção do MS no topo do ranking de ocorrências de violência doméstica deve-se ao fato delas denunciarem mais ou a situação está fora do controle? Na prática as duas questões estão interligadas, mas com certeza as vítimas estão tendo mais confiança em procurar as delegacias em busca de proteção. A análise foi feita pela titular da DEAM (Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher) de Coxim, Dra. Sandra Regina Simão de Brito Araújo, que considera o momento de encorajamento destas mulheres crucial na diminuição dos ataques.
Policial experiente e profunda conhecedora dos temas relacionados com a violência doméstica a delegada considera fundamental o combate a este flagelo social que causa a mortes de vítimas diariamente em todo o Brasil. Segundo ela o aumento das ocorrências e o de denúncias são analisados de forma correlata, mas quando elas buscam a justiça as agressões diminuem. A manifestação da Dra. Sandra Regina Simão de Brito se deu após confirmar que o MS segue liderando esta vergonhosa estatística.
RANKING NEGATIVO - Mato Grosso do Sul é o líder nacional em processos de violência doméstica contra a mulher. De acordo com estudo divulgado no ano passado pelo Departamento de Pesquisas Judiciárias do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), o número de denúncias corresponde a 30,8 de cada mil pessoas da população feminina. Em outras palavras, de cem mulheres residentes no estado, três entram na Justiça para denunciar casos de violência.
DOBRO DA
MÉDIA NACIONAL -
O resultado de Mato Grosso do Sul é mais que o dobro da média nacional, de 12,3. Devido à frequência de casos no estado de violência doméstica, Campo Grande foi a primeira cidade do País a receber, há três anos, unidade da Casa da Mulher Brasileira.
UM PROCESSO
EM CEM
MULHERES NO BRASIL -
A pesquisa da CNJ identificou que, até o final de 2017, existia, em todo o País, um processo judicial de violência doméstica para cada cem mulheres brasileiras. No total, são 1.273.398 processos de violência doméstica contra a mulher tramitando nas justiças estaduais em todo o País.
Entre os maiores índices, destacam-se os estados do Centro-Oeste. Excetuando-se o Acre (22,0 processos de cada mil mulheres), os demais são da região. Depois do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul), estão o Tribunal de Mato Grosso (27,2), do Acre, de Goiás (21,8) e do Distrito Federal (20,2).
MS lidera ranking de processos de violência doméstica contra a mulher,
Em todo o território nacional, foram registrados 388.263 casos novos de violência doméstica e familiar contra a mulher, alta de 16% mais na comparação com o ano anterior. “O dado positivo é que a quantidade de processos julgados na Justiça aumentou: foram 440.109 processos concluídos em 2017, aumento de 19% em comparação a 2016”, informou a CNJ.
