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Vergonha: Petrobras indeniza empresa por achar formigueiro

26 NOV 2014 • POR O Globo • 12h50

A descoberta de formigas ameaçadas de extinção da espécie Atta Robusta, mais conhecida como saúva-preta, em área de uma obra da Petrobras, foi um dos motivos para a Mendes Júnior Engenharia, outra empresa investigada no âmbito da Lava-Jato, cobrar ressarcimentos depois que o contrato já estava encerrado, por meio de transação extrajudicial. A empresa havia recebido R$ 493,5 milhões para prestar serviços no Terminal Aquaviário de Barra do Riacho, em Aracruz (ES). Em dezembro de 2010, a Petrobras aceitou pagar um extra de R$ 64,3 milhões por razões diversas, entre elas “dificuldades geradas por motivos de ordem ambiental”.
Uma comissão de negociação da estatal cobrou da Mendes Júnior mais provas dos prejuízos com as formigas, que foram localizadas em 16% da área da obra. A empresa não as apresentou, mesmo assim conseguiu negociar o pagamento por horas adicionais de seus funcionários na obra. O trabalho na área foi liberado apenas 15 dias depois da descoberta da espécie.
Em outra negociação extrajudicial, a Mendes Júnior obteve R$ 20,8 milhões além dos R$ 49,9 milhões que havia recebido por uma adutora na Refinaria Duque de Caixas, na cidade homônima, no Rio de Janeiro. O contrato foi assinado em março de 2003 e encerrado em setembro de 2005. Dois anos depois, a empresa conseguiu receber o pagamento extra alegando atraso na entrega de materiais por parte da Petrobras, “interação com a comunidade de forma imprevista”, a ocorrência de chuvas excepcionais e até a condição do solo.
“Nos locais das travessias dos rios o solo comportava-se muitas vezes de maneira imprevisível, demandando o uso de procedimentos não convencionais”, argumentou. Procurada pela reportagem de O GLOBO, a construtora não quis se pronunciar. 

Nota da Redação - Está claro que a Operação Lava Jato é um retrato triste e lamentável na história do Brasil. Diante dela, é óbvio que a imprensa tem obrigação em destacar a corrupção dos partidos do governo. É impossível esquecer que os partidos se coligaram e subiram ao poder em 2003 com Lula segurando a bandeira da ética em suas mãos e jogou parte de sua história no lixo ao dar prosseguimento a alguns dos mais sórdidos esquemas vigentes. Destacar só a corrupção petista, entretanto, é papel da oposição, não do jornalismo. Para contribuir com o avanço do País, a imprensa deve destacar o caráter endêmico da corrupção e mostrar que o combate a ela deve ter como foco a busca por transparência e instituições mais fortes e independentes, não a histeria. Simplesmente trocar a cúpula do esquema não é um caminho pródigo, como mostra o próprio histórico dos governos petistas. O que achamos é que devemos lutar com todas as forças, por uma nova Carta Magna, uma assembléia geral constituinte, onde o criminoso sofra de fato e tenha penas mais duras sem o tal dos ‘recursos’ que só favorecem o corruptor. Queremos um país onde o cidadão honesto tenha orgulho de viver numa nação onde o seu trabalho tenha valor, e onde sejamos menos lesados por impostos e tributos que não possuem nenhuma garantia de futuro, pois diariamente assistimos pelos veículos de comunicação que aquele dinheiro de impostos que pagamos com tanto sacrifício está sendo roubado por bandidos do colarinho branco.