Sabatistas ficam confinados 7hs aguardando para realizar prova do Enem
11 NOV 2014 • POR Ana Flávia Dorsa • 10h14Quinze jovens da Região Norte realizaram a prova do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) em outro período devido à fé religiosa. Havia uma sala específica para eles na escola Santa Tereza. Eles entraram ao meio-dia (12hs) e esperaram confinados até o por do sol para iniciarem a prova. Tal condição é uma questão religiosa comum entre adventistas do 7° dia e judeus ortodoxos que guardam o sábado. Dos quase nove milhões inscritos este ano, 69.396 alunos brasileiros tiveram esta condição diferenciada.
Mas este direito garantido pela constituição não foi tão fácil assim de ser conquistado pelo jovem Deivid do Nascimento Araújo, de Sonora, que não teve a sua ficha de inscrição com a distinção do horário de prova mesmo tendo descrito esta condição no momento que se inscreveu.
“Foram dias de angustia até a confirmação da minha prova. Foi muito stress, e tudo isso foi se intensificando a partir do dia 31 quando entrei em contato com o Ministério da Educação e a resposta não foi animadora. Esperei e-mail prometido, mas não obtinha esse retorno. Nos últimos dias com a ajuda de quatro advogados, dois de Sonora e dois cedidos pela Igreja Adventista entramos com mandato de
Deivid rcebeu confirmação
de sua prova
segurança. Porém um dos advogados me falaram que talvez não daria tempo do meu pedido ser julgado. Mas na sexta-feira, na véspera da prova consegui garantir meu direito e consegui realizar a prova após o por do sol conforme e-mail do MEC que me destinou à uma sala onde havia apenas eu e uma monitora” conta Araújo.
Para o jovem, caso o Ministério da Educação não lhe desse o direito de realizar a prova este ano, ele afirmou que aguardaria o próximo ano para aí sim realizá-la. “Poderia atrasar minha vida profissional, mas jamais adiar os planos de Deus na minha vida. Vale à pena honrar o nome dele e quando nos posicionamos o mundo todo olha para nós”, declarou aliviado.
Os demais sabatistas realizaram a prova em conjunto em outra sala, porém na mesma escola. Segundo o jovem também de Sonora, Wellington Bruno da Silva Copetti, em Coxim onde realizou a prova, os alunos conversaram, cantaram e ainda tiveram um momento para lanchar durante as 07hs de confinamento.
Na capital, o professor José Lino Souza Dias Neto, se inscreveu no Exame para poder passar esse tempo apoiando seus alunos. Ele aproveitou a oportunidade para testar suas habilidades nas matérias, mas o objetivo principal foi acompanhar seus alunos e dar aquele apoio moral e psicológico aos jovens. Em Campo Grande, conforme contou o professor, todos os sabatistas fizeram a prova na escola Joaquim Murtinho e ganharam um kit com lanche preparado pela Igreja, porém durante o confinamento, ninguém podia conversar, por isso alguns oraram e outros tiraram umas horinhas de descanso.
Para Nilda Vieira Franco que é coordenadora dos jovens de Sonora, o MEC deveria considerar essa questão religiosa e mudar a data, pois é desumano segundo ela, deixar os alunos confinados tanto tempo. Em Coxim onde os alunos realizaram a prova, o exame começou às 18hs, mas os alunos só iniciaram às 19hs para garantir a total retirada do sol, sendo que o encerramento ficou por volta das 22hs. Os alunos de Sonora voltaram para casa com um ônibus fretado pelo prefeito Yuri Valeis que entendeu e respeitou esses fiéis à lei bíblica deixada por Deus.
