Operação Vostok
Defesa de Zé Teixeira "estranha" prisão
13 SET 2018 • POR Correio do Estado • 09h00A defesa de Zé Teixeira (DEM) estranhou as circunstâncias da prisão do deputado estadual feita pela Polícia Federal na manhã de ontem, durante a Operação Vostok, deflagrada para combater esquema de pagamento de propina a representantes da cúpula do Poder Executivo Estadual, incluindo o governador Reinaldo Azambuja.
Segundo o advogado Carlos Marques, a ação ocorre no momento que Zé tenta reeleição e pode prejudicá-lo politicamente. "Não é razoável determinar a prisão neste momento. É mais uma medida midiática", disse ele, lembrando que o assunto é antigo e que o caso tramita na justiça há 2 anos.
Quanto questionado sobre o desvio e pagamentos de propina na ordem de R$ 1,6 milhões por meio de notas de venda de gado, Carlos alegou que as transações foram legais. "Existe nota fiscal declarada demonstrando de onde o gado saiu, para onde foi e também as guias de transporte", explicou.
OPERAÇÃO
Dentre os alvos da operação, estão o governador Reinaldo Azambuja, que teve o prédio onde mora alvo de mandados de busca e apreensão, pecuaristas responsáveis pela emissão das notas fiscais “frias" e Márcio Monteiro, conselheiro do Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul.
Segundo nota divulgada pela PF, as investigações foram iniciadas no início deste ano, tendo por base termos de colaboração premiada de executivos da JBS. Os colaboradores detalharam os procedimentos adotados junto ao governo do Estado para a obtenção de benefícios fiscais.
Do total de créditos tributários auferidos pela empresa dos colaboradores, um percentual de até 30% era revertido em proveito da organização criminosa investigada. Nos autos do inquérito, foram juntadas cópias das notas fiscais falsas utilizadas para dissimulação desses pagamentos e os respectivos comprovantes de transferências bancárias.
Apurou-se também que parte da propina acertada teria sido viabilizada antecipadamente na forma de doação eleitoral oficial, ainda durante a campanha para as eleições em 2014; e que alguns pagamentos também teriam ocorridos mediante entregas de valores em espécie, realizadas nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo, no ano de 2015.
Operação Vostok
As investigações tiveram início neste ano, e tiveram como ponto de partida delação de empresários do grupo JBS. A ação envolve 220 policiais federais que cumprem 220 mandados de busca e apreensão, 14 de mandados de prisão temporária em Campo Grande, Aquidauana, Dourados, Maracaju, Guia Lopes da Laguna e na cidade de Trairão (PA). Os mandados foram expedidos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
O inquérito da PF apontou que até 30% dos créditos tributários (incentivos fiscais ao grupo JBS) eram revertidos em proveito do grupo, que os policiais federais chamam de “organização criminosa”. A Operação da Polícia Federal foi denominada “Vostok”, o mesmo de uma estação de pesquisa da Rússia na Antártida e, segundo a PF, tão fria quanto as notas utilizadas para lavar a propina da JBS.
As propinas foram pagas por meio de doação eleitoral para a campanha de 2014, e também em espécie, nas cidades de São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ), em 2015.
