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Em nova denúncia do MP, 2º sargento da PM-MS é acusado de receber R$ 500 mil em propinas

6 SET 2018 • POR Midiamax • 14h10
  Reprodução/Midiamax

O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) entrou como uma nova denúncia contra o 2º sargento da Polícia Militar Ricardo Campos Figueiredo por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O ex-agente de segurança já responde a processos por obstrução de justiça e porte ilegal de armas e agora é apontado como líder do grupo que dava suporte a contrabandistas de cigarros.
Esta nova ação é decorrente das investigações relativas à Operação Oiketicus, deflagrada em maio deste ano pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), que apurou delitos praticados por policiais militares do Estado que atuavam na chamada “Máfia dos Cigarreiros”, formada para dar suporte a contrabandistas de cigarros. Nas duas fases da Oiketicus, 29 policiais, entre praças e oficiais, foram presos.
Através de cruzamento de dados bancários e fiscais, o Ministério Público chegou à conclusão de que Ricardo Campos enriqueceu ilicitamente, tendo recebido R$ 500 mil em propinas. Para fazer a lavagem deste dinheiro, ele teria usado o nome de um dos filhos e de um amigo na aquisição de bens e na abertura de conta bancária. Em junho, 28 policias foram denunciados pelo Gaeco. Ricardo Campos Figueiredo tinha ficado de fora da lista, mas em ação assinada por cinco promotores de Justiça, entre eles quatro do Gaeco, em agosto, o 2º sargento é apontado como o líder da organização criminosa.
Essa condição é justificada pela sua proximidade com o “alto escalão do Poder Executivo”, tendo sido da segurança velada do governador Reinaldo Azambuja. O Gaeco diz que Ricardo Campos tinha posição destacada dentro da estrutura da organização criminosa, inclusive influenciando nomeações e transferências de colegas envolvidos no esquema.
De acordo com a denúncia, a Receita Federal constatou que Ricardo Campos apresentou mais de R$ 180 mil de patrimônio descoberto em 2015 proporcionado pela “corrupção sistemática” decorrida de sua participação na organização criminosa.
Foram registrados depósitos bancários de “somas elevadas” de dinheiro na conta bancária do ex-assessor de segurança do governador por pessoas diretamente ligadas com o contrabando de cigarros. Também foram detectados vários depósitos feitos mensalmente sem identificação do responsável.
Esta movimentação financeira é classificada como “totalmente incompatível”, além de gastos e padrão de vida que “refogem à realidade econômica” de um sargento da PM. Para maquiar essa situação, Ricardo Campos adotou providências para ocultar e dissimular a origem dos recursos ilegais, considerado como lavagem de dinheiro.
É usado como exemplo a compra de um Toyota Corolla XEI no valor de R$ 89.900, em novembro de 2015, com pagamento R$ 35.960 em espécie. Dinheiro que não saiu da conta bancária de Ricardo Campos, mas sim proveniente de corrução. Outro bem citado é a compra de uma chácara em nome de um dos filhos no valor de R$ 1,5 milhão.
Ao todo, o sargento Ricardo Campos teria recebido R$ 500 mil em propina e assim enriquecido ilicitamente por meio de corrupção, conforme a denúncia. Só em 2015, houve R$ 182.709,76 de acréscimo patrimonial sem origem declarada. Além da condenação pelos crimes de corrupção passiva, organização criminosa na condição de líder e lavagem de capitais, o Ministério Público pede que Ricardo Campos Figueiredo seja expulso da Polícia Militar.