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Outra cliente de falsa biomédica relata dores

10 NOV 2014 • POR G1 • 09h49

Uma mulher de 35 anos, que afirma ter feito aplicações para aumento de bumbum com a falsa biomédica Raquel Policena Rosa, de 27 anos, em Goiânia, conta que teve a rotina alterada após o procedimento. “Não estou dormindo e nem indo para a faculdade, pois não consigo sentar. Minha vida e meu casamento praticamente acabaram”, disse a cliente, que não quis se identificar. A Polícia Civil investiga se foi aplicado hidrogel, como relatado por Raquel, ou silicone industrial nas vítimas.

A cliente diz que fez as sessões nos últimos dias 12 e 24 de outubro e que, logo após a segunda aplicação, se sentiu mal. Ela buscou ajuda médica e ficou quatro dias internada. Atualmente, ainda continua a fazer tratamento para tentar reverter o quadro e eliminar riscos de ter embolia e trombose. “Está infeccionado, estou drenando, tomando antibiótico e remédio para dor. Eu não estou vivendo”, lamentou.

Raquel passou a ser investigada após a morte da ajudante de leilão Maria José Medrado de Souza Brandão, 39 anos, ocorrida o último dia 25, após duas aplicações de hidrogel no bumbum. Segundo a delegada Myrian Vidal, titular do 17º Distrito Policial de Goiânia e responsável pelo caso, além da vítima fatal, outras sete mulheres já prestaram depoimento e confirmaram que fizeram o procedimento com a suspeita. Outras quatro já foram identificadas e devem prestar depoimento nesta semana.

Myrian diz que o relato das vítimas reforça a suspeita de que Raquel possa ter usado silicone industrial nas aplicações, diferente do que disse em depoimento, no último dia 3. “Identificamos já várias vítimas da Raquel e dentre elas algumas que já passaram por atendimento médico, ou seja, já foi drenada alguma substância do glúteo delas. Algumas têm nos informado que existe a possibilidade daquilo ser silicone industrial”, disse.

A delegada diz que elas deverão ser submetidas a análises para comprovar qual substância foi aplicada. A polícia também aguarda o laudo do Instituto Médico Legal (IML) para saber qual foi a causa da morte de Maria José.

O advogado que defende Raquel, Ricardo Naves, diz que a polícia precisa fazer uma análise profunda sobre o produto usado, principalmente para saber se ela tinha noção de riscos. "Se ela utilizou um produto que é nocivo, e talvez letal, é preciso saber se ela tinha consciência disso. E mais: se ela adquiriu esse produto sabendo disso", afirmou.

Para a vítima de 35 anos, o uso de silicone industrial é a hipótese mais provável. “No momento eu achava que era hidrogel, mas hoje, com as consequências que estou tendo, acredito que seja silicone industrial mesmo”, diz.

Estudante de biomedicina, a mulher conta que não desconfiou de Raquel. “Eu foquei pelo lado de mulher, não dá área de saúde. O lado de você querer perfeição barato, entendeu? Porque da área de saúde eu nunca indicaria, tanto é que na primeira eu já achei estranho fazer no hotel, achei o cúmulo do absurdo”, relatou.