Máfia da Fronteira: filha e esposa de PM cobravam traficantes e até planejavam execuções
27 JUL 2018 • POR Jornalista Edvaldo Bitencourt • 15h20A 3ª Vara Federal de Campo Grande manteve a prisão preventiva de Roseleia Teixeira Piovezan Molina e Jéssica Piovezan Azevedo Molina, respectivamente, esposa e filha do subtenente da Polícia Militar, Silvio César Molina Azevedo. Conforme investigação da Polícia Federal, as mulheres tinham função ativa na organização criminosa, como cobrar dívidas de traficantes, controlar os créditos da família e até comandar execuções para vingar a morte de Jefferson Molina, filho do policial.
A existência de uma máfia para dar apoio ao PCC (Primeiro Comando da Capital), a facção que surgiu nos presídios paulistas, foi desvendada na Operação Laços de Família, deflagrada pela Polícia Federal no dia 25 de junho deste ano. O dinheiro do tráfico era lavado por meio de 10 empresas e com a utilização de 50 “laranjas”.
A defesa de Jéssica e Rose ingressou com o pedido de habeas corpus ou substituição da prisão preventiva por medidas cautelares. A principal alegação é de que a investigação feita por três anos não individualizou a conduta das mulheres na organização criminosa. E acrescentou que o risco de fuga por residirem na fronteira não é fator para manter o confinamento.
O juiz Bruno Cezar da Cunha Teixeira, titular da 3ª Vara Federal, indeferiu o pedido e manteve a prisão preventiva. No despacho, ele destaca que as mulheres possuíam papel de destaque na suposta organização criminosa. Jéssica assumiu o controle dos créditos da família Molina com outros traficantes após o assassinato do irmão, Jefferson Henrique Piovezan Azevedo Molina, 25 anos, em junho do ano passado.
Em julho do ano passado, mãe e filha foram até o Rio Grande do Norte para receber dos traficantes identificados como Bebê, Vavá e Pacote. Na ocasião, teriam recebido como parte do pagamento um veículo Hyundai Tucson 2016. Aliás, a PF identificou vários veículos usados como pagamento, como Dodge RAM, Azera e BMW 320.
Quando marido Douglas Alves Rocha, o Bodinho, ficou preso de setembro a dezembro de 2015, Jéssica intermediava as tratativas com os outros criminosos.
Rose teria transportado Clodoaldo Lenzi em seu veículo Corola para pegar um caminhão com três toneladas de maconha, que acabou apreendido. Há mais de 12 anos, a mulher de Silvio atuou como batedora de carga de contrabando de cigarros.
