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Copa do Mundo 2018

DIA DE DECISÃO

27 JUN 2018 • POR GE • 08h33
  Christophe Simon/AFP

Midas é um personagem da mitologia grega que transforma em ouro tudo aquilo que toca. Pode-se dizer que Philippe Coutinho tem exercido poder semelhante na seleção brasileira. Seu deslocamento em campo é a maior prova disso. Ao consolidar sua mudança de posição pouco antes da Copa do Mundo, Tite criou um lado esquerdo poderosíssimo, mas deixou o direito carente do talento de seu principal meio-campista.
Para entender como o Brasil cria seus principais lances ofensivos, é preciso imaginar a formação de um triângulo de cada lado. Os vértices são os laterais, os meias centrais e os atacantes de lado. Portanto: Marcelo, Coutinho e Neymar na esquerda; Fagner, Paulinho e Willian na direita.
Na esquerda, talento puro e jogadores que têm características de jogo combinado: ou seja, evoluem em campo baseados nas trocas de passes curtos e movimentações. Coutinho foi o melhor das três partidas que começou como meia centralizado: Áustria (3x0), Suíça (1x1) e Costa Rica (2x0). Também fez gols em todas elas.
Esse desempenho faz com que Tite não pense em tirá-lo dali.
O técnico e sua comissão queimam neurônios é para descobrirem soluções na direita. Paulinho e Willian são jogadores de mais velocidade e força. O volante tem participado menos da construção dos lances justamente por ter perdido a companhia de Coutinho pelo seu lado. Estabelecer conexões entre Fagner, Paulinho e Willian é uma urgência para a Seleção ficar mais equilibrada e menos dependente do sucesso de seu triângulo mais talentoso.
Contra a Suíça, 44% dos lances ofensivos do Brasil tiveram origem do lado esquerdo, e 27% no direito. A diferença se manteve diante da Costa Rica: 46% a 29%.