Greve dos caminhoneiros
“Pane seca” começou a parar frota de carros de Coxim e demais regiões
25 MAI 2018 • POR Cesar Rodrigues • 09h14Coxim e as demais cidades da Região Norte do estado também sofreram o efeito “cascata” e até o final da tarde de ontem estavam sem uma gota de combustível devido a greve dos caminhoneiros que causou colapso da economia do Brasil e do estado. O quarto dia seguido de paralisação já provocou a paralisação das atividades em 60% dos 6.201 estabelecimentos industriais de Mato Grosso do Sul, ou seja, já estão sem produzir 3.720 indústrias no Estado, conforme levantamento parcial realizado pela Fiems junto aos empresários do setor.
Os caminhões com óleo diesel, gasolina e álcool estão parados nas filas ao longo da BR-163. Não há como algum motorista furar o bloqueio neste momento. O colapso causado pela paralisação dos caminhoneiros afeta toda a cadeia econômica do Norte do Estado. Fornecedoras dos postos de combustíveis de Coxim já confirmaram a suspensão das entregas enquanto a situação não se normalizar.
A BR-163 está paralisada em diversos pontos e não tem previsão da greve acabar. Secretarias estratégicas de todas as cidades estão adotando medidas especiais para garantir combustível para transportar pacientes em ambulâncias. O 5º BPM (Batalhão de Polícia Militar) já recebeu orientação do comando para encher os tanques das viaturas, justamente para não ficar sem combustíveis para fazer o trabalho ostensivo e atender ocorrências.
Desde as primeiras horas desta quinta-feira motoristas de todas as cidades do estado formaram filas gigantescas para encherem os tanques. Os cidadãos destas cidades estão circulando menos nas ruas com receio de ficarem a pé. O bloqueio das rodovias permanece e não há previsão de retomada do abastecimento porque todas as negociações com o Governo Federal falharam desde o início da manifestação
Na tarde de ontem José da Fonseca Lopes, presidente da Associação Brasileira de Caminhoneiros (Abcam), disse que a paralisação dos caminhoneiros somente seria suspensa caso o Senado aprovasse - ainda na quinta-feira, até às 14h - o projeto que elimina a cobrança de PIS/Cofins sobre o diesel até o fim do ano. Ainda assim, a suspensão do movimento, de acordo com ele, só acontecerá após a sanção presidencial para a publicação da medida no Diário Oficial da União. Até o fechamento desta edição o acordo ainda não tinha sido assinado.
Enquanto o impasse não é resolvido politicamente as principais rodovias seguem bloqueadas. A novidade deste movimento foi o fechamento da linha férrea com a suspensão do tráfego dos trens pela Ferronorte em Chapadão do Sul. A Justiça da Comarca já expediu liminar para a liberação dos trilhos e a passagem dos trens, mas às 15 horas seguiam interrompidos com terra e caminhões atravessados.
